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Em um relato emocionado no Facebook, norte-americana dá detalhes como foi se culpou quando se descobrir lésbica até conseguir se aceitar como é

Assumir-se como homossexual não é uma tarefa fácil, principalmente se você acredita que há algo de errado nisso. Para Sammi Taylor, uma jovem mórmon dos Estados Unidos, foi um longo processo para ela se assumir como lésbica, já que ela acreditava que a sexualidade era uma escolha. Em uma página do Facebook, a estudante relatou o processo de auto aceitação.

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Sammi publicou um relato para contar como se aceitou como lésbica
Reprodução/Facebook/Faces of USGA
Sammi publicou um relato para contar como se aceitou como lésbica

“Assumir que eu sou lésbica foi muito trabalhoso”, começa Sammi. “Não pensei que ser gay era algo que poderia acontecer comigo sem minha permissão. Por muitos anos, meu mantra foi 'eu nunca tenho que ser algo que eu não quero para ser'", diz a estudante. "Eu acreditava profundamente que eu tinha uma escolha nesta questão e que não havia nenhuma maneira de eu simplesmente ter nascido lésbica ".

Para entender o que estava acontecendo com ela, Sammi criou algumas explicações ao longo dos anos. “Quando era criança e percebia que outras meninas me deixavam nervosa quando estavam por perto, acreditava que era apenas admiração o que estava sentindo”, conta Sammi. Mesmo quando outras pessoas descreviam o que ela estava sentindo como paixão, ela pensava que não podia saber porque nunca havia sentido isso.

Além disso, Sammi também fala que começou a acreditar que era uma garota mórmon exemplar porque, durante a adolescência, suas amigas estavam se envolvendo com rapazes e ela não sentia vontade de fazer o mesmo.

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Quando entrou na faculdade, as coisas ficaram mais complicadas porque ela percebeu que já tinha idade para ter um relacionamento, mas não tinha vontade de se envolver com homens. “Até que então eu tive a primeira experiência em que reconheci que não era apenas admiração; estava tendo sentimentos por uma menina. Fiquei muito brava comigo mesmo”, diz Sammi.

“Eu ainda acreditava que não havia nascido gay e tinha certeza de que esses sentimentos eram minha culpa. Eu pensei que era minha responsabilidade parar de ter esses pensamentos e eu não seria qualificada para a ajuda do Pai Celestial até que eu parasse.”

Então, a estudante fez de tudo o que ela acreditava que poderia para reverter a situação. “Rezei mais, li mais minhas escrituras, ouvi conversas sobre conferências todas as manhãs, tentei ser a imagem da justiça”. Mas toda vez que ela percebia que os sentimentos estavam voltando, ela acreditava que a culpa era do dia que ela havia feito algo de errado, como rezar em sua cama ao invés de se ajoelhar.

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Aceitação

“Quando finalmente me permiti - aos 22 anos - considerar que talvez não tivesse escolha, senti como se um novo mundo estivesse aberto. Tudo começou a fazer sentido”, diz a estudante. Pela primeira vez, Sammi estava começando a se entender. “Eu era a mesma pessoa, havia apenas mais de mim do que eu  havia percebido. Deus não me odiava, eu não era um monstro, eu era apenas gay”.

Hoje, Sammi lamenta toda a vergonha que costumava sentir e tem orgulho de quem é. “Saber que sou lésbica é um privilégio e uma benção. Eu sei que isso pode não ter sentido para algumas pessoas, mas acredito firmemente que meu Pai Celestial me fez ser gay e Ele quer que eu saiba quem eu sou. Quando penso nisso dessa maneira, não posso ter vergonha".