Praticando esportes, Isaac entrou em um time que o apoiou sendo transexual

A partir do momento em que aprendeu a andar, Isaac Grivett tornou-se um atleta. Ele sempre gostou de praticar esportes e, na infância, começou a jogar softball e futebol. Quando virou adolescente e entrou no ensino médio, se apaixonou pelo lacrosse e teve de passar por um dilema: revelar ou não para todos que ele era um homem transgênero.

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Praticar esportes fez Isaac se encaixar durante o ensino médio
Reprodução/OutSports
Praticar esportes fez Isaac se encaixar durante o ensino médio

Atualmente, Isaac tem 19 anos e é um técnico de teatro em Nova York que passa a maior parte do tempo praticando esportes ou sendo um ativista pelos direitos de transexuais e pessoas com deficiência. Em entrevista para o site “OutSports”, Isaac revela detalhes da vida e fala sobre os problemas que enfrentou como um adolescente transgênero.

Após chegar ao Aliso Niguel High School, no sul da Califórnia, ele se juntou à equipe de lacrosse feminina da escola. “Eu absolutamente amei tudo - o esporte, os treinadores, a minha equipe. No meio do meu primeiro ano, quando comecei a questionar meu gênero, sentia que tinha muito mais para pensar além de "sou um garoto, uma garota... Ou algo completamente diferente?", comenta.

Isaac passou a questionar se ainda poderia jogar com a sua equipe quando se assumisse como homem e até mesmo se ele realmente queria se assumir. Enquanto ele estava se preocupando com qual era sua identidade de gênero, também pensava muito sobre a votação que proibiu casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que havia ocorrido três anos antes.

“Embora o resultado não tenha sido apoiado por muitos dos meus amigos, foi apoiada por meus pais e eu pensei: se as pessoas ao meu redor nem sequer aceitam os homossexuais, como iriam me aceitar?”, afirma Isaac. Em razão desses pensamentos, ele não se assumiu nem mesmo para seus amigos mais próximos por mais um ano.

No meio da temporada em 2014, Isaac descobriu que um dos árbitros costumava apitar seus jogos era um homem trans. Durante uma das partidas, ele ouviu algumas das meninas do time questionarem o gênero dele e fazerem comentários ignorantes sobre o árbitro.

“No início, isso me assustou e me fez querer adiar me assumir ainda mais, mas eu percebi que eu queria começar a fazer mudanças e ajudar a ensinar meus amigos e companheiros de equipe em vez de me afastar da ignorância deles”, diz Issac. Depois de se assumir para os treinadores, ele reservou um tempo depois de um treino para reunir a equipe e contar a todos de uma só vez.

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Isaac afirma que nem se lembra do que disse na ocasião, só se recorda de todas o abraçarem e parecerem muito felizes com a confiança que ele tinha nelas. “Um delas me perguntou qual seria o meu nome e, uma vez que disse a elas, nunca ouvi meu nome de nascimento novamente”, diz Isaac.

Infelizmente, essa foi a parte fácil para ele. “Como atleta gay, minha única preocupação era a aceitação pelos membros da equipe. No entanto, como atleta trans, eu também devo me preocupar com leis e regulamentos que envolvem minha transição”.

Ele passou as semanas seguintes pesquisando e entrando em contato com diferentes centros jurídicos e escritórios governamentais para saber sobre o que ele poderia ou não fazer como atleta, bem como em sua vida cotidiana sendo um estudante do ensino médio. “Tudo o que eu realmente aprendi é que não existem muitas regras rígidas e que cada um tem uma ideia diferente do que são", afirma. 

Conforme foi ficando mais difícil ser chamado pelo nome de nascimento e por “ela” na escola todos os dias, Isaac não conseguiu continuar adiando sua transição social. Então, no verão de 2014, ele decidiu se assumir publicamente pelo Facebook e viver seu último ano escolar, finalmente, como um estudante do sexo masculino.

Quando parou de jogar o lacrosse no último ano por razões diversas, ele passou a praticar esportes com outras pessoas trans. “Eu ainda tive a sorte de encontrar alguns outros atletas trans em minha área para me conectar, um dos quais começou um grupo para pessoas sem gênero definido jogarem lacrosse, fazerem caminhadas e praticarem exercício juntos.

Mudança de vida

Desde então, ele se mudou para Nova York e tem se concentrado em correr. “Eu tenho sorte de ser um esporte individual na maior parte do tempo e eu treino com os corredores da 'New York Road Runners' com meu nome e gênero mudados legalmente”.

Entretanto, Isaac ainda treina com equipes diferentes ao longo do ano e precisa se assumir para atletas quando alguém o vê usando sutiã mesmo tendo barba. “Mesmo se as pessoas não me questionam, ou não parecem se preocupar com a minha aparência, eu tenho consciência de minha aparência ao usar roupas apertadas ou roupas de treino reveladoras”, explica.

“Como artista de teatro, espero criar e trazer à vida histórias que ajudem a normalizar a comunidade LGBT e mostrar que não somos perigosos ou, de alguma forma, imorais”, diz Isaac. “Como atleta, espero inspirar os jovens que estão passando pelas mesmas coisas que eu fiz para não desistir e ganhar proteções de nossas escolas e do governo para poder jogar com as equipes com as quais nos sentimos confortáveis”.

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Isaac afirma que o esporte sempre foi uma parte muito importante da sua saúde e bem-estar, e que todos devem ter a oportunidade de participar e serem julgados apenas por sua habilidade e dedicação, e não por como eles se identificam na questão de gênero.

"Eu lutei e vou continuar lutando por todas as pessoas trans, especialmente aquelas a que são negadas o direito de fazer algo que amam apenas por causa de seu sexo. Eu apenas tive de perceber que me assumir sempre terá de ser uma parte de minha vida e que minha identidade será usada frequentemente para tentar me distinguir dos outros, especialmente no mundo dos esportes”, finaliza ele.

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