Cada vez mais presentes nas redes sociais, as piadas e brincadeiras que atacam as minorias acabam por reproduzir o preconceito que existe na sociedade

O ódio contra minorias na internet foi debatido durante o 12º Seminário Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT) do Congresso Nacional: "Nossa vida d@s outr@S", que começou na quarta-feira (20) e termina na quinta-feira (21), no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados.

Gabriela Korossy/Câmara dos Deputados
"Facebook é o lugar por excelência do ódio", disse o deputado Jean Wyllys durante o Seminário LGBT na Câmara


De acordo com a pesquisadora das áreas de redes sociais e comunidades virtuais e professora da Universidade Católica de Pelotas, Raquel Recuero, o discurso de ódio presente nas redes sociais está relacionado ao poder simbólico e às formas de dominação. “Acabamos reproduzindo e legitimando com curtidas esse discurso online”, alertou. 

Recuero afirmou que analisou redes sociais e viu associação de discursos de ódio contra minorias, como homossexuais e negros, em especial em uma cultura de indiretas com piadas críticas: “A piada reforça o discurso negativo. As pessoas são culturalmente preparadas para falar algumas coisas.” De acordo com ela, deve haver um enfrentamento não em relação às pessoas que proferem discursos de ódio, mas ao discurso em si.

A professora afirmou que o seu centro de estudo quer criar um observatório de violência de gênero na mídia social. “Existe relação entre violência subjetiva e o discurso. A ideia é fazer esse observatório e deixar os dados disponíveis para observadores”, explicou.

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Por outro lado, boas iniciativas também surgem se valendo do humorismo na web. Pedro HCM, idealizador do canal de humor Põe na Roda, composto por jovens LGBT, contou que o humor foi a forma encontrada para poder falar sobre questões próprias da comunidade e de sexualidade em geral: “Juntei duas características minhas, que é fazer humor e ser gay. É curioso a gente conseguir cativar a empatia com heterossexuais pelo canal. Conseguimos de maneira leve e sem tabu tratar de temas que normalmente são mais sérios.”

Para o coordenador da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT, deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), uma das redes sociais mais populares, o Facebook, é o lugar por excelência do ódio. “As pessoas estão se excluindo porque não conseguem dialogar”, lamentou. De acordo com ele, é necessário ampliar a escuta empática entre a comunidade LGBT e a população cristã. O parlamentar comentou sobre os ataques que sofre em redes sociais: “Não sou uma máquina. A minha mãe assistindo a isso é doloroso.”

O seminário é realizado por três comissões da Câmara (Legislação Participativa; Cultura; e Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática) a pedido dos deputados Jean Wyllys (Psol-RJ), Luiza Erundina (PSB-SP), Glauber Braga (PSB-RJ), Janete Capiberibe (PSB-AP) e Luciana Santos (PCdoB-PE). O tema do evento este ano é “Nossa vida d@s outr@s – A empatia é a verdadeira revolução”. O foco das discussões hoje foi a propagação do ódio pelas redes sociais. Amanhã será a vez dos debates sobre agressão, injúria e difamação pela manhã; e tolerância e respeito às diferenças à tarde.

* Com informações da Agência Câmara Notícias

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