A publicação americana "Newsweek" investigou o que acontece na vida dos LGBTs entre uma parada e outra do orgulho gay de São Paulo, chamada de a maior do mundo

A matéria da revista começa contando o episódio de um vizinho gay que foi atacado por outro vizinho  em São Bernardo do Campo. "Isso vai te ensinar a nunca mais olhar para um homem de verdade. Agora você vai morrer, viado! ", o vizinho gritou, em ataque registrado pela câmera de segurança do edifício, antes de esfaquear o outro duaz vezes no pescoço.

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Como a matéria explica, essa situação de contraste com aquela imagem de país simpático e permissivo que o Brasil ainda tem lá fora não é incomum. "O Brasil tem uma reputação global por suas enormes paradas de orgulho gay, mas também tem um dos mais altos níveis de violência em relação a LGBTs no mundo. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, houve 326 assassinatos de pessoas LGBT no Brasil no ano passado. Isso é uma taxa de cerca de uma morte a cada 28 horas. As mulheres trans são desproporcionalmente o maior número de vítimas", diz a revista, que entrevistou vários amigos do iGay: a transexual Renata Peron , fundadora do movimento "Sou Trans e Quero Dignidade e Respeito", a colunista Maju Giorgi , do grupo Mães pela Diversidade, e elogiou a atuação do nosso também colunista Jean Wyllys .

Majú Giorgi é citada dizendo que a expectativa média de vida para uma mulher trans no Brasil é de apenas 36 anos. "O Brasil é uma sociedade muito tradicional, muito religiosa. Estamos liderando o mundo na homofobia", diz ela, que explica que as famílias de trans muitas vezes as rejeitam e expulsam de casa ainda bem jovens. Marginalizadas da sociedade, muitas vezes acabam vivendo na rua e não têm outra alternativa senão trabalhar na indústria do sexo. O repórter andou pelo que ele descreveu como "ruas decadentes do centro da cidade de São Paulo" e viu com seus próprios olhos as esquinas lotadas de mulheres trans se oferecendo para programas.

Jean Wyllys, descrito como o primeiro deputado assumidamente gay do Brasil, está reputado na matéria como alguém que trabalha duro para mudar as coisas. Segundo ele disse à revista, no Brasil há uma cultura de "aversão à diversidade sexual."

Os gays e a igraja evangélica

A revista explica que a ascensão das igrejas evangélicas reforçou tais atitudes. O ativista político argentino Bruno Bimbi , que militou pela aprovação de legislação do casamento igualitário no país, disse sobre o Brasil: "As igrejas evangélicas têm se infiltrado completamente no sistema político no Brasil". Com a eleição de 2014, aumentou a quantidade de conservadores religiosos no Congresso. Diz a revista: "Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados, é abertamente homofóbico. Após o primeiro beijo gay na TV brasileira, Cunha usou o Twitter para expressar sua 'repulsa'. Um de seus primeiros projetos de lei foi a criação do 'dia do orgulho hetero' para combater o que ele chama de 'heterofobia'."

A revista explora também a proposta de Cunha para um Estatuto da Família, que limitaria a definição de família no Brasil para uma unidade com base em um homem e uma mulher, o que anularia a decisão judicial de 2013, em favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e excluiria milhões de famílias brasileiras de proteção do Estado.

Verônica Bolina

A polícia é citada na matéria como uma força que agrava a situação de violência contra LGBTs. O caso lembrado é o da trans Verônica Bolina,  que foi presa em 10 de abril e sofreu violência por agentes da polícia enquanto sob a tutela do Estado. A comunidade LGBT se uniu contra a violência a transexuais, popularizando nas redes sociais a hashtag # SomosTodasVerônica.

"O caso de Verônica é emblemático da violência policial contra mulheres trans", disse Renata Peron à revista. "Mas a verdade é que a polícia é violenta contra todas as minorias. Os policiais são mal pagos, não são devidamente treinados para lidar com as minorias."

Apesar da violência

A reportagem da "Newsweek" mostra em muitos níveis a aceitação da comunidade LGBT no Brasil. Diz que a Parada do orgulho de São Paulo é a maior do mundo, que o clube gay The Week é o maior da América Latina, que nas tardes de sábado a feira da Praça Benedito Calixto é um encontro marcado da comunidade LGBT. Ouvido pela revista, o advogado Luís Arruda afirmou: "Neste momento, a comunidade LGBT está em fase de crescimento da auto-estima. Mas há muitos mundos no Brasil."

Em todos eles, passa a novela "Babilônia", com a que foi chamada de "principal atriz do Brasil", Fernanda Montenegro, fazendo par romântico com Nathalia Timberg .  


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