Os dois estudantes, de 15 anos, pararam no calçadão da Praia do Recreio e foram surpreendidos por grupo de homens desconhecidos. Um deles levou chutes no rosto e pelo corpo

Dois amigos de 15 anos saíam de um luau na praia e pararam no calçadão do Recreio dos Bandeirantes, no Rio, para fazer uma selfie na noite de sábado (2). Se abraçaram, foram confundidos com um casal gay e agredidos por um grupo de cerca de 20 homens.

A homofobia chegou a um nível tão extremo que dois amigos não podem se abraçar que já são considerados gays e, por isso, ‘dignos’ de uma surra

A atriz Muca Vellasco, 39 anos, mãe de um dos meninos, Tarcísio Costa, conversou com o iGay. "Eu tenho 4 filhos, uma menina de 18, um menino de 16, ele de 15 e uma menina de 8 anos. Fiquei sabendo do ataque no dia seguinte, porque passei o fim de semana todo trabalhando no festival 72h de cinema. Ele pediu ao padrasto pra ir a uma festa, mas não disse que seria na praia", contou ela.

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Mais tarde, Tarcísio comentou apenas que houve uma briga e que ele se safou porque abaixou na hora em que bateram no amigo. Num primeiro momento, Muca achou que fosse apenas mais uma briga de adolescentes e não deu muita importância. O sinal de alerta acendeu na hora em que ela viu a foto do amigo agredido, Iago, no Facebook. "Ali percebi a gravidade, então perguntei novamente o que aconteceu e ele me deu mais detalhes. Falou que estavam saindo do luau e passaram para dar uma olhada numa outra festa em que não conheciam ninguém, também na praia, onde acontecia um set de música eletrônica. Ao passarem já perceberam que alguém mexeu com eles. Ele não sabe dizer direito o que falaram e não deu muita importância, mas desconfia que o comentário tenha partido de alguém do mesmo grupo que os agrediu."

Juntou um monte de gente e deram diversos chutes na cara e pelo corpo. O tempo todo eles os chamavam de 'viados' e diziam que 'tinha tudo que morrer' (Muca Vellasco, mãe de um dos meninos)

Quando voltavam para perto de seus amigos no luau o grupo de desconhecidos se aproximou. "Alguém derrubou a touca da cabeça do meu filho, ela caiu no chão e ele se abaixou pra pegar. Nisso já vinha um soco em sua direção e ele escapou justamente porque estava abaixado. Outro homem partiu ao mesmo tempo para cima do Iago, juntou um monte de gente e lhe deram diversos chutes na cara e pelo corpo. Aí eu percebi que era um ataque homofóbico, porque meu filho disse que o tempo todo eles os chamavam de 'viados' e diziam que 'tinha tudo que morrer'. O grupo inclusive fez questão de destruir a câmera para que os meninos estavam posando abraçados para uma selfie momentos antes de eles se aproximarem."

Apesar de os dois meninos serem heteros, sentiram na pele o que um casal gay passa no seu dia a dia. Agora meu filho está com medo de demonstrar afeto pelos amigos

Muca diz que os dois amigos estão muito assustados e com medo de sair. "Meu filho também está preocupadíssimo em ser confundido com gay e apanhar. Não que eles achem que os gays podem apanhar, aliás eu quero enfatizar que nos colocamos totalmente a favor da comunidade LGBT. Mas apesar de os dois meninos serem heteros, sentiram na pele o que um casal gay passa no seu dia a dia. Agora meu filho está com medo de demonstrar afeto pelos amigos, essas coisas."

Muca registrou sua indignação com o episódio no Facebook.

“A homofobia chegou a um nível tão extremo, mas tão extremo, que dois amigos não podem se abraçar, independentemente da sexualidade, que já são considerados gays e, por isso, ‘dignos’ de uma surra. Aconteceu com meu filho e com o amigo dele."


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