O escritor, criador do "Menino Maluquinho", falou com o jornal "Hoje em Dia" sobre vida e carreira. O modo carinhoso como o pai o tratava era exceção na época e os amigos o gozavam

O cartunista Ziraldo
Divulgação/Ana Colla
O cartunista Ziraldo

"Meu pai vinha para mim, dava livros, era muito melado. Meu pai acordava de manhã e ia para nosso quarto passar a mão na nossa cabeça", diz o cartunista Ziraldo em entrevista ao jornal "Hoje em Dia". Ele conta que teve um pai muito carinhoso em uma época em que os pais se mantinham afastados dos filhos e apareciam somente para dar a bronca. "Na minha geração, o pai só era referido assim: 'Você vai ver quando seu pai chegar'. Essa era a ligação dos filhos com os pais", relembra.

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Amigos de Ziraldo não gozavam da mesma relação: "Já conversei muito sobre isso com Drummond (o poeta Carlos Drummond de Andrade). Ele era muito solitário na infância. O pai dele não tinha tempo para conversar com ele. Eu perguntava para o Carlos: 'Como era a sua relação com seu pai?' E ele: 'Nunca ouvi a voz de papai'. Era o pai exemplar".

O carinho paterno extremo provocava bullying de outros meninos na escola, que estranhavam a relação próxima entre pai e filho. "Todo mundo achava que eu ia 'ficar viado'. E me chamavam de 'viadinho'", conta.

Era para eu ter 'ficado viado' mesmo, sabe? Mas não aproveitei desta condição. Quem sabe se fosse homossexual seria melhor, não? Tem tanto homossexual feliz no mundo

O cartunista lembra uma excursão em que seu pai foi o único a levá-lo ao trem e chegou a subir no vagão para despedir-se e dar um beijo no filho. "Mas o que os meninos me gozaram! E teve uma discussão com as meninas, dizendo que os meninos estavam com inveja. E ficou um debate no trem sobre o beijo que meu pai me deu. Então, era para eu ter 'ficado viado' mesmo, sabe? Mas não aproveitei desta condição. Quem sabe se fosse homossexual seria melhor, não? Tem tanto homossexual feliz no mundo…".

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