A repórter Alice Gregory entrevistou a modelo Andreja Pejic para conversar sobre questões de gênero e a transexualidade na sociedade contemporânea

A modelo Andreja Pejic
Patrick Demarchelier/Vogue
A modelo Andreja Pejic


A capa da edição de maio da Vogue trará pela primeira vez uma modelo transexual. Andreja Pejic, de 23 anos, encontrou a reportagem da revista para falar sobre a fluidez dos gêneros. "Há mais categorias agora. Isso é bom. Nós estamos finalmente entendendo que gênero e sexualidade são questões muito mais complicadas do que pensávamos", opina. Pejic foi entrevistada em Nova York, horas antes de embarcar para Londres, onde cumpriria agenda de modelo.

A modelo nasceu na Bosnia-Herzegovina meses antes da guerra, em 1992, e teve de viver em um campo de refugiados em Belgrado quando criança. Em 1999, emigrou para Melbourne, Australia, com a mãe. As dificuldades decorrentes da guerra não impediram que ela atuasse como modelo desde criança.

A chegada da puberdade trouxe a preocupação com os traços masculinos que começavam a surgir. "Eu me preocupava com o fato de os meus pés e mãos serem muito grandes", diz.

Na reportagem, a modelo conta sobre os percalços de ser uma jovem transexual na escola e os questionamentos da adolescência. "Pensei em ser homossexual, mas isso não se encaixava". Ela conta que ficava dividida entre a fantasia de ser uma garota e o pensamento de levar uma vida normal como um garoto.

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Pejic realizou tratamentos hormonais (inicialmente escondida, na adolescência) e cirurgias. Somente no ano passado a modelo passou pela cirurgia de mudança de sexo.

"Não há nada masculino nela. Vestindo gola alta e saia, Pejic é tão feminina quanto minha irmã, minha mãe e todas as minhas amigas nascidas com o sexo biológico feminino", afirma a repórter Alice Gregory.

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