O jornalista de 24 anos vivia sua vida: era baladeiro, usava drogas, ficava "com um, com dois, com 32", fez suruba. A igreja o fez questionar tudo e há dois anos ele não se envolve com ninguém: "Espero pelo meu grande amor"

'Tatuei uma fênix porque significa começar das cinzas', diz Bruno
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'Tatuei uma fênix porque significa começar das cinzas', diz Bruno


Talvez minha melhor descrição seja esta: um ser humano que por muito tempo se escondeu atrás de uma imagem completamente distorcida de uma felicidade mentirosa. Este é o Bruno que eu quero apresentar a vocês. Que hoje, definitivamente, não faz parte da minha identidade.

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Logo no meu primeiro ano de escola, muitas crianças percebiam minha voz afeminada e me chamavam de viadinho e todos os demais adjetivos humilhantes. Lembro como se fosse ontem o dia em que cheguei para minha mãe e disse: "Mãe, a senhora sabe me dizer o que significa ser gay?" Ela me disse: "São homens que têm relação com outros homens". E nunca mais falamos sobre isso.

Quando meu primeiro relacionamento homossexual aconteceu eu não tinha ideia do que estava fazendo. Era criança, tinha menos de 10 anos, e eu e meu primo trocamos carinhos e sexo oral.

O primeiro beijo foi apaixonante, com aquela conversa de relação séria que poderia ter me levado a me casar ali mesmo

Entre os 15 e os 17 anos, comecei a me envolver mais no mundo LGBT, com baladas, bares alternativos e encontros casuais. Conheci, de fato, uma relação com outro homem. Confesso que gostei. O primeiro beijo foi apaixonante, com aquela conversa de relação séria que poderia ter me levado a me casar ali mesmo, se não estivéssemos em uma balada.

Pouco antes de completar 18 anos, tive minha primeira relação sexual. Péssima! Desastrosa! Horrível! Fiquei completamente mal, física e psicologicamente. O garoto não tinha educação nenhuma e queria apenas se satisfazer. Ele me machucou por inteiro. Até hoje me procura, diz que foi maravilhoso e aquelas coisas bonitas de querer de novo. Mas, além do desastre da primeira impressão, hoje ele é casado.

Eu me sentia a pessoa mais atraente, a pessoa mais tudo isso, mais tudo aquilo. Mas na verdade nunca sentia absolutamente nada, só tristeza.

A partir daí fui me tornando cada vez mais "puto", ficava com um, com dois, com três, com quatro, com cinco, com trinta e dois... Até de suruba participei. Eu me sentia a pessoa mais atraente, a pessoa mais tudo isso, mais tudo aquilo. Mas na verdade nunca sentia absolutamente nada, só tristeza.

Foram os piores anos da minha vida. Mas como o que está ruim pode piorar ainda mais, aproveitei para mergulhar de vez nas drogas e passei a usar cocaína como remédio para minhas tristezas. A bebida me servia como "chá de esquecimento".

Fiz sexo com homens casados sem me preocupar com suas esposas e filhos. Qual significado tinha a minha vida? Seria mais um ser humano que não se importa com as necessidades dos outros? Fui amado durante toda a vida pelos meus pais, que tanto fizeram pelos meus sonhos, e optei por ignorar quem me amou para me satisfazer? Quantas noites eu chorei! Por que ser um menino que gosta de menino? Por que amar e não ser amado? Por que sonhar em ter uma família e não ser correspondido? 

Estava planejando morrer de overdose. Pouco antes de cometer suicídio, descobri que amava o fato de ter poder, de ter status, de ser bajulado, mas não me preocupava comigo mesmo.

Estava planejando morrer de overdose. Pouco antes de cometer suicídio, descobri que amava o fato de ter poder, de ter status, de ser "bajulado". Mas não me preocupava comigo mesmo.

Passei a me amar, dar valor a meus pais e à minha irmã e pedir desculpas pelos meus erros. Passei a aceitar as broncas, os conselhos e escutar com calma quem me ama de verdade. Passei a sentir esse amor e deixei tudo de lado.

Hoje vivo a felicidade de acordar e agradecer a Deus pelo meu dia, pelo meu almoço, pelo meu trabalho e pela minha profissão. Espero pelo meu grande amor e entreguei a Ele todos os meus sonhos. Faz pelo menos dois anos que não me envolvo com ninguém. Estou vivendo um tempo de me conhecer para dar espaço para o amor acontecer. Estou esperando a pessoa certa.


* O nome foi trocado a pedido do entrevistado

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