O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) postou um vídeo em sua página do Facebook nesta terça-feira (7) dizendo que foi vítima de "heterofobia". Com a atitude, Jean Wyllys (PSOL-RJ) marca sua posição contrária à de Bolsonaro. Assista:

O deputado Jair Bolsonaro diz ter sido vítima de "intolerância, preconceito, discriminação e heterofobia" pelo deputado Jean Wyllys em um voo que ia do Rio de Janeiro a Brasília. Wyllys, que estava sentado quando Bolsonaro se encaminhou para se sentar na poltrona ao seu lado, levantou-se e mudou de assento, sem fazer nenhum tipo de provocação. Bolsonaro estava gravando desde que entrou no avião e colocou o vídeo acima em sua página no Facebook.

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Jean Wyllys classificou a gravação de Bolsonaro como "sensacionalismo barato" em sua página no Facebook e publicou, em resposta, um texto em que cita Patrícia Galvão, a Pagu, que foi presa durante o governo de Getúlio Vargas. Em visita de Ademar de Barros à penitenciária, Pagu teria sido a única detenta a recusar-se a dar-lhe a mão, dizendo: "Não dou a mão a carrascos nem a interventores".

Jean Wyllys afirma no post que se baseia no exemplo de Pagu para não estender a mão a pessoas que "defendem e estimulam a tortura (crime de lesa-humanidade!); que apoiam regimes autoritários e fascistas; que fazem apologia ao estupro de mulheres; que desrespeitam as famílias de pessoas mortas sob torturas em masmorras de ditaduras; que lamentam que intelectuais de esquerda não tenham sido metralhados; que defendem a violência contra crianças e adolescentes; que aplaudem a degola de presidiários; que estimulam a homofobia e outras violências contra homossexuais; e que financiam, com dinheiro público, sórdidas campanhas difamatórias contra adversários políticos".

Leia, na íntegra, o post de Bolsonaro e a resposta de Jean Wyllys:


Post de Jean Wyllys

Presa pela ditadura Vargas - que durou de 1937 a 1945 e colaborou com o regime nazista de Hitler - sob acusação de "subversiva" por causa de suas atividades no então clandestino Partido Comunista, a jornalista e escritora Patrícia Galvão (mais conhecida como Pagu) foi retirada da cela e conduzida com outras companheiras à presença do interventor Ademar de Barros, que visitava a prisão na ocasião, mas era conivente com as - e incentivador das - torturas e outras violências praticadas contra os presos políticos. O diretor do presídio exigiu que as prisioneiras, em fila, cumprimentassem a autoridade política. Todas as outras presidiárias cumpriram a ordem, apenas Pagu não estendeu a mão a Ademar de Barros. Quando o diretor do presídio exigiu que ela o obedecesse, Pagu respondeu: "Não dou a mão a carrascos nem a interventores!". E, por isso, foi conduzida à solitária pela desobediência.

Jean Wyllys publicou uma foto da jornalista e escritora Patrícia Galvão, a Pagu, em sua página
Reprodução/Facebook
Jean Wyllys publicou uma foto da jornalista e escritora Patrícia Galvão, a Pagu, em sua página

Tenho, em Pagu, uma das minhas referências. Escroques que defendem e estimulam a tortura (crime de lesa-humanidade!); que apoiam regimes autoritários e fascistas; que fazem apologia ao estupro de mulheres; que desrespeitam as famílias de pessoas mortas sob torturas em masmorras de ditaduras; que lamentam que intelectuais de esquerda não tenham sido metralhados; que defendem a violência contra crianças e adolescentes; que aplaudem a degola de presidiários; que estimulam a homofobia e outras violências contra homossexuais; e que financiam, com dinheiro público, sórdidas campanhas difamatórias contra adversários políticos, recorrendo à calúnia não merecem que lhes estendamos a mão nem que sentemos ao seu lado onde quer que seja.

Lamento que, neste Dia do Jornalista, o jornalixo dê o tom, abrindo espaço para que escroques piores que Ademar de Barros mintam sobre os motivos de suas vítimas se recusarem a estar ao seu lado.


Post de Jair Bolsonaro

O que aconteceria se um homossexual fosse humilhado em voo da Tam?

Ao embarcar hoje no voo da TAM JJ 3024 (10H19), que partia do Aeroporto Santos Dumont para Brasília, pedi licença ao Deputado Jean Wyllys (PSOL/RJ), que estava sentado na poltrona 12C, para ocupar o assento 12B, ao seu lado e que me era destinado.

Surpreendentemente, em clara demonstração de intolerância, preconceito, discriminação e heterofobia o Deputado Jean Wyllys levantou-se e acomodou-se em outro assento.

Se fosse eu quem tivesse praticado tal atitude, pelo PLC 122/2006 (Senado), que criminaliza a homofobia, estaria sujeito à pena de 1 a 3 anos de reclusão, além da perda do mandato e o fato seria noticiado pela maioria dos telejornais.

Direitos iguais sempre!

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