Entidade LGBT enviou ofício ao governador do Estado sobre expulsão de estudantes em São José do Rio Preto: "Se fosse um beijo entre estudantes de sexos opostos, haveria expulsão da escola?", questiona a carta

Expulsão de alunos causou manifestações em frente à escola e nas redes sociais
Reprodução/Facebook
Expulsão de alunos causou manifestações em frente à escola e nas redes sociais


A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) pediu, por meio de ofício, que o Ministério da Educação e o governador Geraldo Alckmin tomem providências com relação à expulsão de dois alunos da Escola Estadual Monsenhor Gonçalves, em São José do Rio Preto, no interior paulista.

SIGA O IGAY NO FACEBOOK

Os meninos foram expulsos na semana passada após serem vistos se beijando. Os alunos dizem que, apesar de beijos serem proibidos na escola, casais heterossexuais são vistos se beijando com frequência e não são suspensos.

Na última segunda-feira (6), alunos fizeram um protesto  em frente à escola por volta das 6h30 da manhã. A página do evento no Facebook recebeu mensagens de apoio, inclusive de pais de alunos e professores.

Leia a carta da ABGLT na íntegra:

Senhor Governador,

A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT – fundada em 31 de janeiro de 1995, é uma entidade de abrangência nacional com 308 organizações afiliadas e tem como objetivo a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população. A ABGLT também é atuante internacionalmente e tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas.

Neste sentido, recebemos com indignação a notícia da expulsão da Escola Estadual Monsenhor Gonçalves, em São José do Rio Preto-PR, de um estudante de 16 anos porque trocou um beijo com outro estudante do mesmo sexo.

Entendemos que as escolas e os colégios têm seus regimentos internos, ou equivalentes, que estabelecem as normas de conduta dos/das estudantes dentro dos mesmos, muitas vezes inclusive com disposições quanto a atos como o que aconteceu na escola acima referida. No entanto, também temos certeza de que as regras devem ser aplicadas com isonomia. Se fosse um beijo entre estudantes de sexos opostos, haveria expulsão da escola?

É ao menos irônico que um gesto de afeto é justificativa para expulsão, mas quando há violência homofóbica entre estudantes, na maioria das vezes passa impune e é até considerado “normal” em alguns estabelecimentos educacionais. Que inversão de valores é esta?

Assim sendo, vimos por meio deste solicitar que sejam tomadas as medidas cabíveis para remediar a atitude injusta ocorrida na Escola Estadual Monsenhor Gonçalves, relembrando inclusive os seguintes princípios estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: “I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola” e “IV - respeito à liberdade e apreço à tolerância.”

Na expectativa de sermos atendidos, renovamos nossos votos de estima e consideração e ficamos no aguardo de sua resposta.

Respeitosamente,

Carlos Magno Silva Fonseca (presidente da ABGLT)

Toni Reis (Secretaria de Educação do Paraná)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.