Quando nasceu, em 1937, o bebê que tinha características masculinas e femininas recebeu denominação masculina pelos pais. Cresceu, se casou, teve filhos e é bem resolvida com sua sexualidade. "Nunca me senti mal por ser hermafrodita".

Quando Claudette nasceu, na Suíça, em 1937, seu corpo tinha características masculinas e femininas. "Eu nasci com partes genitais de ambos os sexos, de modo que não estava claro se eu era um menino ou uma menina", disse. Seus pais atribuíram ao bebê o sexo masculino, mas Claudette não se conformou totalmente com isso e não deixou que nada limitasse sua identidade sexual. "Nunca me senti mal por ser hermafrodita, são os outros que têm problema com isso", declarou ela. "Sempre me senti uma menina e vivi minha vida com essa identidade. Tenho o sexo dos anjos, por que iria me envergonhar dele?"

Nunca me senti mal por ser hermafrodita, são os outros que têm problema com isso. Tenho o sexo dos anjos, por que iria me envergonhar dele?

Claudette se casou com uma mulher, Andree, o casal está junto há 53 anos e teve três filhos. Como ciclista, participa de competições e já venceu várias provas. Para explorar as possibilidades de papéis de gênero, se tornou prostituta. Segundo ela, "a prostituição se torna uma fonte de auto-confiança" para transexuais ou hermafroditas, já que o olhar dos homens é uma validação da identidade sexual. "Prefiro vender minha bunda do que minha alma, é mais difícil, mas muito mais decente. A satisfação de um trabalho bem feito é incomparável na prostituição. Quando um cliente está feliz, eu estou feliz também."

A fotógrafa Malika Gaudin-Delrieu com o marido em foto do seu Facebook
Malika Gaudin-Delrieu/Reprodução
A fotógrafa Malika Gaudin-Delrieu com o marido em foto do seu Facebook

A fotógrafa Malika Gaudin Delrieu nasceu na França em 1990. Ela se encantou ao conhecer a história de Claudette e partiu para fazer um trabalho jornalístico, mostrando exatamente cenas cotidianas na vida de Claudette, que revelam como ela é bem resolvida com todas as questões que podem parecer tão complexas.

A série de imagens intituladas "La Vie en Rose" foi publicada na edição francesa da revista online "Vice". 


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