Chris Ritchie tem o sonho de ver gays andando livremente de mãos dadas pela cidade e entrou na campanha #ahomofobiaé completando a frase com a palavra "treva". Para ela, é preciso mais "luz" para que a comunidade LGBT seja aceita

Chris Ritchie, 47, escreve desde pequena. Aos dez anos, ela começou a guardar suas poesias, histórias e contos. No último aniversário da cidade de São Paulo, escreveu uma poesia em que exalta a diversidade na Avenida Paulista e pede o fim da homofobia (leia abaixo).

Chris Ritchie escolheu completar a frase 'A homofobia é...' com a palavra 'treva'
Chris Ritchie
Chris Ritchie escolheu completar a frase 'A homofobia é...' com a palavra 'treva'

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Além de escritora, Chris Ritchie é professora, revisora, tradutora e intérprete. Ela fez questão de participar da campanha #ahomofobiaé e escolheu a palavra "treva" por acreditar que há a necessidade de mais "luz" para que a comunidade LGBT seja aceita.

Cinquenta personalidades  completaram a frase "A homofobia é...". As fotos com o resultado viraram uma exposição, que teve abertura  na última segunda-feira (30) e pode ser visitada até o dia 9 de abril no saguão da Prefeitura (Viaduto do Chá, 15) e de 10 a 27 de abril no Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 - Térreo).

Para participar, basta completar a frase "A homofobia é..." com uma palavra ou frase, escrever a resposta num papel e postar uma foto com a resposta nas redes sociais, usando a hashtag #ahomofobiaé.

Para mim, São Paulo é uma cidade desafiadora, é preciso coragem para morar aqui porque ela obriga a gente a abrir a cabeça, a ser melhor. A campanha #homofobiaé é prova disso

A seguir, Chris Ritchie fala sobre a cidade, a Avenida Paulista, diversidade e sobre a campanha do iGay.


Acho a Av. Paulista o lugar mais acolhedor e moderno do Brasil. Todo mundo pode namorar sossegado, andar de skate, de bike até pelado, cantar e passar o chapéu, fazer dinheiro, perdê-lo e achar outras riquezas. Tem museu, mata Atlântica, feira de artesanato, antiguidade e gastronomia, loja, metrô, centro cultural com espetáculo gratuito, modelos bons e ruins de arquitetura, além da maravilhosa Casa das Rosas. Meu desejo é que o Brasil inteiro, o mundo inteiro seja uma enorme Paulista, com mais verde.

 Porém, onde qualquer um pode ser quem é também mora o perigo. Tem bandido de todo tipo – já fui assaltada duas vezes, em uma com agressão grave em plena luz do dia - e tem gente que ainda não assimilou o que significa respeito e liberdade.

Fico muito chocada com notícias sobre violência em geral, acredito que nada a justifica, muito menos a orientação sexual. Tenho amigos, tenho família, pessoas que amo independente do que temos em comum e especialmente pelo que temos de complementar.  

Sempre, desde que me mudei de Santos para cá em 1987, gostei de ver como na Paulista os casais gays andam de mãos dadas. Mais de uma vez naquela época, reparei que, no vagão do metrô, eles não se tocavam, nem na escada rolante, mas assim que pisavam na avenida, se davam as mãos ou se beijavam.

Para mim, São Paulo é uma cidade desafiadora, é preciso coragem para morar aqui porque obriga a gente a abrir a cabeça, a ser melhor. A campanha #homofobiaé é prova disso. Espero que, como no poema, ela torne a homofobia algo que passou.


Fluindo bem nos dois sentidos 

De mãos dadas
amigo e amiga
amigo e amigo
amiga e amiga
vão pela Paulista
nas duas mãos.
Lugar de viver
em cima, embaixo,
lá dentro, cá fora,
com todas as cores
e um pouco de tudo -
passado e corrente,
falência e sobra,
fome e yakissoba, 
amor, sexo e futuro
Escorrendo sobre a mata,
a nata e a escória.
A natureza se completa
com concreto e história,
além do Paraíso óbvio
de poder ser plural ou singular,
dar e receber, avançar.
Nas mãos há o abraço
de ida e volta fluindo
bem na avenida.
Se alguém vir mal nisso,
que ele seja passageiro
e sem compromisso
com a homofobia.

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