O filme está em fase de produção em Pernambuco, e projeto busca captar verba para se concretizar. O enredo explora o processo de autoconhecimento dos jovens

David Péricles e Ryan Leivas em cena de 'Feliz Ano Novo'
Divulgação
David Péricles e Ryan Leivas em cena de 'Feliz Ano Novo'

Alexandre e Fred foram vizinhos a vida inteira, estudavam na mesma escola, andavam com a mesma turma, mas nunca conseguiram se entender. Em uma virada de ano, eles acabam se descobrindo apaixonados um pelo outro. É disso que trata o curta-metragem de ficção "Feliz Ano Novo", com direção e roteiro de Felipe André Silva, 23.

Assista ao teaser do filme:


Felipe trabalha como confeiteiro. Nas horas vagas, faz filmes independentes com auxílio de amigos do curso de Audiovisual da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). "Todos são meus melhores amigos, sempre que vou produzir já penso neles", conta. Seu sonho é ingressar também neste curso e continuar fazendo filmes.

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O roteiro foi escrito em novembro do ano passado e a produção começou em janeiro deste ano. Além de Felipe, participam do filme Cesar Castanha (estudante de jornalismo), Victor Laet (atuou no primeiro curta de Felipe e em outros filmes), Alan Campos (diretor de arte e figurinista do filme) e Rafael de Almeida (fotografia). 

Dois jovens atores foram convidados para viver os protagonistas: Ryan Leivas, 18, e David Péricles, 21. "Escolhemos esses dois estreantes por acreditar completamente em suas habilidades para contar nossa história".


Amor e descobertas

Felipe explica que a ideia de "Feliz Ano Novo" era mostrar personagens que estão em processo de autodescoberta, como tantos jovens. Possivelmente todos eles.

Não é a primeira vez que ele trabalha a temática gay. Já dirigiu os curtas-metragens "Diálogo", sobre dois amigos que acabam se relacionando, e "O Ídolo Caído", sobre um fotógrafo que tenta lidar com seu desejo por um modelo. Além disso, fez o video-diário "Avec Soleil", contando sobre sua vida. "Gosto de pensar em personagens gays porque é sobre isso que eu sei falar", diz.

Gays no cinema

Na opinião de Felipe, a maioria dos diretores que tratam do universo LGBT no cinema acabam inserindo situações e personagens extravagantes em seus filmes. "Eu queria fazer algo mais simples", conta.

Felipe comemora o aumento da incidência de personagens gays no cinema, em filmes como o brasileiro "Hoje eu quero voltar sozinho", de 2014. "Acho que nunca me vi numa tela até 'Hoje eu quero voltar sozinho'. É muito importante ver o gay sendo tratado de forma natural no cinema, principalmente para os adolescentes", diz.

No entanto, o jovem diretor acredita que "Hoje eu quero voltar sozinho" ainda é distante da realidade de muitos homossexuais por tratar da vida de um menino da classe média paulistana. Em seus curtas-metragens, ele procura mostrar outras faces dos jovens gays no Brasil.

Ele lembra a importância de atrair o público geral para filmes com essa temática. "Acho que o público tem aumentado, mas o que me incomoda é que a maior parte das pessoas que assistem a esses filmes são gays. E eu queria, com meus filmes, tentar chegar a um público maior".

Temos de parar de pensar nesses filmes como filmes gays e simplesmente como filmes, que é o que eles são (Felipe André Silva)

Para Felipe, é preciso quebrar a barreira. "Temos de parar de pensar nesses filmes como filmes gays e simplesmente como filmes, que é o que eles são".



Financiamento

Como o filme é independente, o grupo está buscando arrecadações. Para doar, basta acessar o site .

O dinheiro será utilizado para custear todas as etapas do filme: aluguel de equipamentos de som e fotografia, alimentação e remuneração da equipe e transporte de materiais. Os doadores receberão recompensas: nome nos créditos do filme, impressões de pôster e cópias em DVD com extras especiais.

A produtora Cicatrix Filmes, do cineasta pernambucano Daniel Aragão, produzirá a cópia para que o filme possa circular por festivais. Além da produtora, o coletivo Surto & Deslumbramento apoia o projeto.

Planos

As filmagens serão realizadas em abril e, logo depois, terá início a pós-produção. O filme deve estar pronto em junho. Depois disso, os integrantes do grupo vão tentar inscrever o curta em festivais como Kinoforum (Festival Internacional de Curtas-Metragens), Mix Brasil (festival de cinema dedicado à diversidade) e Janela (Festival Internacional de Cinema de Recife).

Futuramente, a ideia é transformar "Feliz Ano Novo" em longa-metragem, partindo da mesma história e inserindo novas cenas.

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