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"Percebi que tinha muita gente interessante falando sobre coisas que nos faziam pensar", diz autora do trabalho independente que arrecada doações para ser finalizado

Dar voz ao movimento LGBT. Essa é a ideia do documentário "Vozeria", em fase de produção. A iniciativa partiu de Raphaela Comisso, 27, formada em Letras e mestranda em Estudos Culturais na USP. Ela conta que a ideia veio há cerca de quatro anos, quando começou a se envolver mais com a militância LGBT, participando de atos, cursos e outros eventos relacionados.


"Percebi que tinha muita gente interessante falando sobre coisas que nos faziam pensar", diz. Ela notou que grande parte das discussões que envolviam a comunidade LGBT não era noticiada pela mídia. O documentário surgiu como uma possibilidade de levar essas ideias a um público maior.

Juntaram-se a ela Artur Palma e Eduardo Aquino, ambos formados em Audiovisual, além de Juliana Basile, formada em Artes Visuais e ilustradora. "Estamos juntos tentando fazer dar certo. Como é um projeto independente, não tem como chamar muita gente", explica.


Montado o grupo, teve início a seleção das pessoas que seriam entrevistadas para o documentário. "São pessoas que eu encontrei no caminho da militância", diz Raphaela. A ideia era entrevistá-las de acordo com a área de atuação de cada uma, com foco em temas que não costumam ser veiculados.

O grupo selecionado foi o seguinte: João W. Nery (psicólogo, professor e ativista dos direitos humanos); Amelinha Teles (fundadora da União de Mulheres de São Paulo e integrante da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo); Luana Hansen (rapper, MC, DJ, atriz e ativista dos direitos LGBT); Maju Giorgi (jornalista e ativista, coordenadora do grupo Mães pela Diversidade e colunista do iGay); Laerte Coutinho (cartunista e ativista do movimento LGBT); Amara Moira (doutoranda e escritora travesti, militante do movimento trans); Dário Neto (membro do Conselho Estadual LGBT e doutor em Literatura Brasileira); Luís Arruda (advogado, membro do Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual de São Paulo e militante do movimento LGBT).

Espaço e voz

Raphaela acredita que cresceu o número de denúncias contra os crimes relacionados a gênero, mas não necessariamente o respeito à diversidade. Para ela, o aumento de denúncias é importante para que se exijam novas políticas públicas para a comunidade LGBT, como medidas de combate à homofobia.

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No entanto, ela lembra que muitas pessoas estão sendo discriminadas em seu dia a dia em escolas e no trabalho e não sabem como denunciar. "O 'Vozeria' é também uma estratégia de dar espaço à fala, de não silenciar", diz.

Ainda faltam algumas entrevistas e o trabalho de finalização do documentário. Para continuar, o projeto foi colocado no Catarse, site de financiamento coletivo. Em uma semana, foram arrecadados mais de R$ 3.100, com 40 doações.

O objetivo inicial é arrecadar R$ 5 mil em 30 dias. Conforme as arrecadações forem recebidas, uma segunda meta é chegar a R$ 10 mil. Se esse valor for atingido, novas entrevistas serão realizadas e o documentário será expandido para uma série de entrevistas.

Até o momento, o documentário recebeu apoio para divulgação do Centro de Referência e Defesa da Diversidade; do Grupo Pela Vida; do Núcleo Especializado de Combate à Discriminação, Racismo e Preconceito; da Defensoria Pública do Estado de São Paulo e da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual.

O objetivo é lançar o documentário até julho de 2015 e levá-lo ao maior público possível, com ajuda desses apoiadores. O grupo pretende exibir o filme em festivais sobre o tema, eventos acadêmicos e nas salas de cinema que aceitarem recebê-lo.

Para contribuir, basta acessar a página do "Vozeria" no Catarse .

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