O Balé Folclórico da Bahia retoma suas atividades nesta quarta-feira (18), após a morte de Reinaldo Pepe Santos

Reinaldo Pepe Santos, 40 anos, foi morto na madrugada de domingo (14) em sua casa, no bairro da Saúde, em Salvador. O crime encerra a carreira promissora de um dos principais bailarinos do Balé Folclórico da Bahia, que integrava há cerca de dez anos. Nesse período, esteve também em outras companhias e realizou trabalho social com a dança no interior baiano. "Era um bailarino exemplar, um dos melhores que a Bahia já produziu", diz Vavá Botelho, diretor geral da companhia.

Preso na cidade de Muritiba, no Recôncavo Baiano, o garoto de programa Wallyson Santana de Castro, o "Galego" ou "Roy", de 24 anos, confessou ter assassinado o bailarino com golpes de faca no pescoço e no abdomen depois que uma desavença por dinheiro provocou confronto físico entre os dois. Wallyson levou o celular e um notebook da vítima. Segundo ele, eles já se conheciam, mas este foi o primeiro programa que fizeram juntos.

Wallysson Santana de Castro, assassino confesso do bailarino
Secretaria da Segurança Pública BA/DIvulgação
Wallysson Santana de Castro, assassino confesso do bailarino


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Vavá conta que o bailarino era abertamente homossexual e sempre teve boa aceitação na companhia e na família. Além de atuar no Balé, participava de outros trabalhos em Salvador, como as quadrilhas de São João e outras manifestações folclóricas. "Era um ídolo para a maioria dos bailarinos. Uma pessoa maravilhosa e [um dançarino] tecnicamente muito bom", diz Vavá.

O diretor diz que Pepe serviu de modelo para muitas pessoas que decidiram seguir a mesma carreira. "Era realmente um bailarino inspirador e conosco aqui no Balé não foi diferente", diz.

Ele classifica Pepe como um "bailarino das antigas", que não deixava problemas, dor de cabeça ou dores no corpo o impedirem de ensaiar e se apresentar. "Hoje não é mais assim, as pessoas faltam ao trabalho por qualquer motivo", diz. "Nunca víamos Reinaldo triste, mesmo que houvesse problemas", conta.  

Saudades

A perda abalou toda a companhia, segundo Vavá. "Estamos voltando hoje com os ensaios, mas muita gente ainda não se sente forte o suficiente pra estar aqui conosco", diz. Ele afirma que é difícil pensar que Pepe não estará presente nas apresentações diárias, de segunda-feira a sábado, das quais participava, no Teatro Miguel Santana, tendo um quadro como solista. Não fará parte do espetáculo do dia 27 de março, em comemoração ao aniversário de Salvador (29 de março). Em maio, ele participaria de uma turnê com o Balé pelos Estados Unidos.

O diretor da companhia planeja atividades para "expurgar" esses sentimentos, como seminários internos, reuniões e conversas com especialistas para ajudar os demais bailarinos a superar a tristeza. "Depois a gente vai pensar em como homenageá-lo. Mas primeiro é superar essa história", diz.

Em nota de pesar, a Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb) disse que "a dança baiana se despede de um dos seus talentos e está de luto na confiança da justiça".

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