A votação foi realizada nesta terça-feira (17). Para avançar, o projeto precisava receber pelo menos 25 votos

O Plenário da Assembleia Legislativa de Pernambuco votou, nesta terça-feira (17) a criação da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT. A proposta recebeu 23 votos. Para ser aprovada, pelo menos 25 dos 49 deputados precisariam votar a favor. Dez parlamentares foram contra a proposta. Um intenso debate precedeu a votação da matéria, que opôs deputados favoráveis à Frente e a bancada evangélica da Casa.

Representantes da comunidade LGBT deixaram a Assembleia decepcionados nesta terça-feira
Reprodução/Facebook
Representantes da comunidade LGBT deixaram a Assembleia decepcionados nesta terça-feira


O presidente da Comissão de Cidadania e propositor da Frente LGBT, deputado Edilson Silva, do PSOL, afirmou que a presença de seis membros da bancada evangélica no colegiado impossibilita o debate sobre a cidadania LGBT. O parlamentar frisou que o que estava em votação era apenas a criação de um espaço de diálogo, e adiantou que seria favorável à criação de uma frente parlamentar evangélica. Em seu blog particular, ele disse que a bancada evangélica tem feito uma "cruzada" contra a "ameaça" LGBT.

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O líder do Governo, Waldemar Borges, do PSB, explicou que o tema envolve questões de foro íntimo e religioso, e por isso a bancada governista votaria de acordo com as posições de cada deputado. O parlamentar externou o voto favorável à Frente, argumentando que o segmento LGBT é diferenciado e sofreu perseguições ao longo da história.

O representante da bancada evangélica, deputado Pastor Cleiton Collins, do PP, afirmou que os evangélicos não têm a intenção de restringir o debate de direitos, mas que as políticas públicas devem abranger a todos. Ele argumentou também que os movimentos LGBT são intolerantes ao acusarem os evangélicos de homofobia.

Adalto Santos, do PSB, afirmou que a bancada evangélica não é homofóbica, apesar de ser contrária à criação da Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT. Ele explicou que o grupo defende princípios morais e éticos que estão fragilizados na sociedade.

André Ferreira, do PMDB, afirmou que todas as pessoas merecem respeito, independentemente da opção sexual. Ele acredita que a criação da Frente Parlamentar proporcionaria benefícios para a população LGBT, o que, na opinião dele, fere o princípio da igualdade.

Teresa Leitão, do PT, rebateu o posicionamento do peemedebista, afirmando que os homossexuais não dispõem de privilégios, mas sim de estigmas e discriminação. Ela lembrou a morte do adolescente de 14 anos, no último dia nove, espancado na escola por ser filho adotivo de um casal homossexual.

Professor Lupércio, do Solidariedade, se posicionou contrariamente à criação da Frente e defendeu que, em uma democracia, os deputados têm o direito de escolha. Ele afirmou que se o Governo criou uma Secretaria para discutir a situação da comunidade LGBT, deveria criar também um órgão de combate às drogas.

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