Ex-ginasta olímpica contou candidamente em entrevista à revista "TPM" que tem uma namorada e passou a integrar lista de atletas famosos que saíram do armário

Em entrevista à revista “TPM” deste mês, a ex-ginasta Laís Souza - que ficou tetraplégica após um acidente de ski em janeiro de 2014 - disse: “ Eu tenho uma namorada, sou gay há alguns anos . Já tive uns namorados, mas hoje estou gay.”

Claro que a declaração, inserida discretamente na matéria, chamou muita atenção. Num mundo ideal, a sexualidade de ninguém deveria importar tanto - que diferença faz para o resto do mundo com quem é que a pessoa namora? No entanto, no mundo real, onde ser LGBT ainda é motivo de discriminação, injustiça, abusos e até mesmo de homicídios, um atleta com grande visibilidade como Laís Souza sair do armário é motivo de comemoração para todo o movimento gay.

O ambiente esportivo ainda é um dos mais conservadores quando o assunto é homossexualidade e, ao se assumir, Laís prova que ser lésbica ou bissexual em nada afeta sua trajetória de grande atleta. E a tendência é que cada vez mais esportistas deixem de se esconder e assumam sua sexualidade.

Dona de muitos títulos de campeã no tênis e abertamente gay, Billie Jean King foi a primeira atleta profissional a sair do armário, em 1981
AP
Dona de muitos títulos de campeã no tênis e abertamente gay, Billie Jean King foi a primeira atleta profissional a sair do armário, em 1981

Em 1981, a tenista Billie Jean King  se tornou a primeira atleta profissional assumida ao se ver envolvida em um processo judicial, no qual se tornou público que ela era lésbica. Atualmente, ela é uma grande defensora dos direitos LGBT, especialmente no esporte, e seus esforços estão trazendo resultados.

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Na última edição dos Jogos Olímpicos, em Londres (2012), houve um recorde de participantes LGBTs. Foram 23 no total, segundo levantamento do site OutSport. Em Pequim (2008), foram 10 e em Atenas (2004), 11. 

Semanas antes da Copa do Mundo no Brasil, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, chegou a pedir que os jogadores gays revelassem publicamente sua preferência sexual  para ajudar na causa pela aceitação dos homossexuais em todo o mundo.

"Encorajo os jogadores e esportistas a declararem sua orientação sexual sem medo", disse ela. "Essa é a única maneira de terem o seu direito à orientação sexual aceito. Eles são exemplos. É importante mandar essa mensagem também aos torcedores. É uma vergonha, nos dias de hoje, que as pessoas tenham que esconder quem realmente são".

Declarar sua orientação sexual sem medo é a única maneira de ter o seu direito à orientação sexual aceito. É uma vergonha, nos dias de hoje, que as pessoas tenham que esconder quem realmente são." (Navi Pillay)

Infelizmente, o apelo de Pillay não surtiu efeito e nenhum jogador profissional se assumiu durante o Mundial no País. O futebol, aliás, é um dos esportes mais homofóbicos de todos. No mundo, há conhecimento de apenas um jogador profissional gay atuando na primeira divisão de seu país, o norte-americano Robbie Rogers, de 27 anos, meia do Los Angeles Galaxy.

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E é justamente por existirem tão poucos atletas e personalidades assumidos que a declaração de Laís Souza importa - e muito - a todos os LGBTs e defensores do movimento. Até o dia em que a homossexualidade será aceita e isso não precisar mais ser noticiado.

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