Allen LeBlanc, da universidade de São Francisco, quer comprovar que casais do mesmo sexo compartilham certo índice de stress que não atinge os dois pares individualmente

Os focos de stress levados em consideração são sempre os mesmos, dinheiro, amor, saúde, trabalho, e diversas variações sobre os mesmos temas. Em um ou outro nível, são um destes fatores, ou uma combinação deles, que preocupam as pessoas e afetam a sua saúde. Allen LeBlanc, professor de sociologia da Universidade de São Francisco, na Califórnia, quer comprovar que casais do mesmo sexo compartilham de um certo nível de stress que não afeta cada um dos pares individualmente e nem é identificado em outros tipos de relacionamento.

Um homem gay que esconde sua orientação sexual, por exemplo, sente um determinado nível de stress individual, provocado pelo medo de ser discriminado no seu local de trabalho ou rejeitado pela família. Se ele pede que o parceiro mantenha a relação em segredo, essa situação leva angústia ao casal, afetando a qualidade e a completude de seu relacionamento.

SIGA O IGAY NO FACEBOOK

"A ivestigação do stress tem tradicionalmente sido centrada na experiência individual de cada um, o que é muito importante. Mas o contexto social tem sido esquecido", disse LeBlanc. "Estamos desenvolvendo novas formas de medir o nível de stress que atinge o casal."

Em artigo a ser publicado na edição de fevereiro do Journal of Marriage and Family (Jornal do casamento e da família), LeBlanc sugere que no futuro as pesquisas sobre stress se dediquem a entender melhor os fatores originados dentro do contexto de relacionamentos íntimos. "Relacionamentos não são por si sós vistos como problemáticos ou desafiadores", disse LeBlanc. "Muitos estudos importantes focam o que é útil ou positivo sobre estar em um relacionamento. É consenso, por exemplo, que as pessoas casadas tendem a ter melhor saúde do que as solteiras. Mas as relações também são uma fonte de stress, e podemos aprender com isso."

Partindo desse princípio, LeBlanc e sua equipe estão se dedicando atualmente ao primeiro estudo de nível de stress em casais homossexuais. Centenas de casais de todo o país vão participar do trabalho, que vai comparar o nível de stress do casal, tanto individual quanto compartilhado, no intervalo de um ano. Um ano depois da primeira etapa do estudo, os casais vão participar da segunda parte da pesquisa, para medir a evolução das experiências estressantes e seus efeitos na saúde e no relacionamento ao longo do tempo. Espera-se que o resultado desse estudo aponte quais são os tipos de stress mais desafiadores para casais do mesmo sexo.

Partindo de casais do mesmo sexo, o trabalho de LeBlanc vai refletir, segundo acredita o professor, o que acontece em outros casais que também sejam minorias, como os inter-raciais, inter-religiosos ou aqueles casais em que um dos parceiros é significativamente mais velho que o outro.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.