Documentário produzido e estrelado pelo ator britânico, gay e ativista dos direitos homossexuais, investiga evolução da causa gay e focos de resistência pelo mundo

O britânico Stephen Fry classificou o encontro com o brasileiro Bolsonaro como “um dos mais sinistros e estranhos” que já teve
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O britânico Stephen Fry classificou o encontro com o brasileiro Bolsonaro como “um dos mais sinistros e estranhos” que já teve

“Não existe homofobia no Brasil”. A frase é fruto de um encontro improvável entre o ator britânico, gay e militante pelo reconhecimento pleno dos direitos dos homossexuais, Stephen Fry , e o deputado federal brasileiro Jair Bolsonaro . A conversa, que Fry classificou como “um dos mais sinistros e estranhos” que já teve, faz parte de um documentário dividido em duas partes que ele produziu e dirigiu para a BBC britânica.  Vale a pena descobrir esse material, que o canal GNT exibe com exclusividade no Brasil ao longo de fevereiro em sua faixa de documentários, concentrada aos sábados a partir das 22h30 e todos os dias após a meia-noite. O material também está disponível no site do canal para ser conferido na íntegra.

Stephen Fry e a luta gay pelo mundo ” consumou dois anos da rotina do ator, que viajou para diversos países com o objetivo de investigar a homofobia sem meios-termos. Além do Brasil, onde conversou com Bolsonaro tendo como gancho um crime de natureza homofóbica, fato relativizado pelo deputado fluminense no filme, o britânico visitou países como Índia, Estados Unidos, Uganda e Rússia, que após a visita de Fry acelerou ainda mais o processo de cerceamento aos homossexuais. O filme foi lançado na Inglaterra no final de 2013.

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O documentário não é filmado com rigor jornalístico e a cena, que pode ser conferida abaixo, com a risada nervosa, que alguns chamariam de maquiavélica, de Bolsonaro ecoando enquanto a câmera segue um introspectivo Fry após a entrevista, indica que o filme tem um ponto de vista claro. E isso é algo muito bom! A parcialidade do registro não compromete sua honestidade. Pelo contrário. Reforça-a. Prova disso está em outro momento do documentário em que o cantor Elton John , um dos maiores ícones gays do mundo, fala sobre o impacto de assumir-se publicamente homossexual. Ou quando Fry busca entender o conceito de “terapia de reversão”, muito popular nos Estados Unidos na primeira metade do século XX. O método consistia em reeducar o gosto sexual de pessoas que sentiam atração pelo mesmo sexo.

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“Stephen Fry e a luta gay pelo mundo” não busca apenas entender por que há tantos focos de resistência homofóbica no mundo, mesmo em países com agenda progressista como Brasil e Estados Unidos, mas estabelecer os parâmetros, históricos e culturais, de um processo ainda em andamento. Nesse sentido, o filme ganha status de documento sociológico.

Assista ao trecho do documentário em que Stephen Fry entrevista Jair Bolsonaro:


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