Luc Athayde-Rizzaro vive abertamente como homem há quatro anos. Em entrevista ao iGay ele conta como foi o processo de se entender, se convencer, assumir o gênero com o qual se identifica e de contar para o pai, Marcelo Tas

Uma coisa que todo mundo sabe sobre Luc: ele é filho do Marcelo Tas. Muitas coisas que muita gente não sabe sobre Luc: nasceu em São Paulo e se mudou para o Rio com um ano. “Sou totalmente carioca”, disse ele por telefone, de Silverspring, subúrbio de Washington, onde mora há dois anos. É formado em Direito, tem 25 anos, trabalha na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão que toma decisões contra os estados americanos em casos de violação dos direitos humanos. Já tinha morado nos Estados Unidos antes, por um ano, quando fez intercâmbio, época em que não tinha ideia de que pudesse ser trans, mas aprendeu bastante sobre isso.

Aos 22 anos ele passou a viver abertamente como homem. Há um ano é casado com Nicholas, cidadão brasileiro e americano, que também é trans. Nossa conversa se deu na tarde de segunda (19), em que fazia 36 graus centígrados em São Paulo, no dia mais quente de um verão infernal, e 3 graus centígrados em Washington, temperatura amena considerando os - 15ºC registrados no Distrito Federal americano nos dias anteriores. 

iGay: Eu sou jornalista, trabalho num canal gay, e ainda cometo erros ao me referir a pessoas e questões transexuais. Você deve lidar com isso o tempo todo. Você corrige quando alguém diz alguma coisa errada?

Luc:  Depende. Depende do que eu sinto que é a abertura da pessoa para tratar do assunto, depende honestamente do meu humor no dia, depende da minha relação com a pessoa. Por exemplo, se eu estou indo pegar um café e a atendente me chama de senhora ou usa o pronome feminino, é uma coisa que pode me afetar muito e eu ficar sem reação e deixar para lá, sabe? Eu nunca mais vou ver essa pessoa. Agora, se é um lugar do lado do meu trabalho e eu vou estar lá todo dia pegando um café, em geral eu falo: ‘Não é senhora, é senhor’. Quando é uma questão mais profunda, se alguém de quem eu sou próximo, um colega de trabalho ou minha família, usar um termo errado, eu sempre tento explicar por que está errado. Porque machuca, mesmo quando a pessoa não tem intenção.

Quem comete uma gafe fica preocupado e diz: 'Desculpa, não foi minha intenção te ofender', como se isso fosse suficiente para eu não ter sido ofendido. Mas o dano já foi feito. Se alguém pisa no seu pé e diz 'Não tive a intenção”, você vai sentir dor do mesmo jeito, a dor continua ali.

iGay: O que acontece quando você corrige alguém?

Luc: Quem comete uma gafe fica preocupado e diz: “Desculpa, não foi minha intenção te ofender”, como se isso fosse suficiente para eu não ter sido ofendido. Mas o dano já foi feito. Se alguém pisa no seu pé e diz “Desculpa, não foi minha intenção”, você vai sentir dor do mesmo jeito, a dor continua ali. Claro que ela te pediu desculpa porque entendeu que te machucou, mesmo sendo um acidente, então é importante usar essa mesma lógica. Quem comete uma gafe ou usa um termo errado tem de entender que, mesmo se não teve a intenção, o que ela disse foi ofensivo, foi uma coisa que causou mal a alguém. Presta atenção para não fazer de novo. Não adianta também pedir desculpas mil vezes, é tão ruim quanto achar que não foi nada porque você não teve intenção. Ficar dizendo desculpa, desculpa, desculpa é constrangedor, eu fico me sentindo culpado de ter sido chamado de senhora, e então a pessoa acaba virando a vítima. É um balanço entre essas duas coisas, é o que eu tento explicar para as pessoas.

Comecei a perceber cinco ou seis anos atrás, fui estudar, pesquisar, e tive muita resistência de mim mesmo. É horrível o que vou te contar agora, mas eu pensava assim: ‘Minha família já teve de lidar com eu ser bissexual, agora eu vou fazê-los ter de lidar com isso, será que vale a pena?’

iGay: Como é se descobrir trans? Como é esse processo de se entender, se aceitar, passar a viver abertamente com o gênero com o qual se identifica, contar para as pessoas?

Luc: Varia muito de pessoa para pessoa. Tenho certeza de que alguém que descobre muito novo e tem uma família que não aceita, pode levar muito tempo para contar para alguém ou começar a viver com o gênero com que se identifica. Para mim, demorou muito tempo. Eu comecei a perceber cinco ou seis anos atrás, comecei a estudar sobre isso, a pesquisar, e tive muita resistência de mim mesmo. É horrível o que eu vou te contar agora, mas eu pensava assim: ‘Ah, mas minha família já teve de lidar com eu ser bissexual, agora eu vou fazê-los ter de lidar com isso, será que vale a pena?’ Eu ficava pensando nos outros e também em mim, ficava tentando me convencer de que não: ‘Tem tanto problema com que eu não terei de lidar se não passar a viver abertamente como um homem.’ Isso durou muito tempo, passei cerca de um ano, eu diria, pensando se sim ou se não. E acho que tem muita gente que demora bem mais do que isso. Inclusive muita gente nem sabe que existe essa possibilidade de você poder ser trans.

Como no Brasil o acompanhamento psicológico é pré-requisito para você fazer qualquer intervenção no seu corpo, muitas vezes a pessoa trans fica querendo dizer exatamente o que o terapeuta quer ouvir, sabe? Acaba não sendo um espaço para você, e sim uma obrigação

iGay: E como foi quando você finalmente decidiu que iria fazer a transição?

Luc: Tudo foi lento. Demorei muito tempo até para fazer terapia, que era uma coisa que eu queria fazer, conversar com alguém sobre isso. Mas uma coisa pouco falada é que, para as pessoas trans, a terapia é uma coisa ambivalente. Como no Brasil o acompanhamento psicológico é um pré-requisito para você fazer qualquer intervenção no seu corpo, muitas vezes a pessoa trans fica querendo dizer exatamente o que o terapeuta quer ouvir, sabe? Acaba não sendo um espaço para você, e sim uma obrigação.

iGay: Mas fazer terapia deve ser importante para quem está num momento de descoberta assim.

Luc: Claro, mas é uma loucura você ser obrigado a fazer terapia para ter autorização de fazer uma intervenção no seu corpo. Ninguém te leva para a terapia se você é uma mulher que quer colocar silicone, você deveria ter autonomia sobre o seu corpo. Nos Estados Unidos e na Argentina a terapia não é um requisito, mas no Brasil, sim. Acho isso péssimo, estava com muita resistência a fazer terapia, passou muito tempo até eu tomar coragem. Foi o Nicholas, meu marido, quem me recomendou a minha terapeuta, e passou um ano desde a recomendação até eu efetivamente começar a terapia. Foi um projeto que demorou muito para mim. Demorou muito para eu contar para os meus pais, demorou até eu contar para a minha família estendida, para os meus avós, achei que eles não iam aceitar. E eles realmente foram incríveis, eles têm sido incríveis.

Demorou muito para eu contar para os meus pais, demorou até eu contar para a minha família estendida, para os meus avós, achei que eles não iam aceitar. E eles têm sido incríveis

iGay: Foi diferente contar que você era bissexual e depois que você era trans?

Luc:  Quando você é gay, ou bi, ou trans, você tem que contar que você ser bi é uma coisa que vai acontecer com você para o resto da sua vida, como ser trans é uma coisa que acontece comigo para o resto da minha vida. Eu crio mecanismos para conversar com as pessoas sobre isso, eu vou ficando mais confortável, mas foi um processo longo. É um processo eterno, mas vai ficando, pelo menos para mim, cada dia mais fácil.

iGay: Você trabalha com direitos humanos e é trans. Você está envolvido especialmente nos direitos humanos dos LGBTs?

 Luc: Na verdade não. Desde que comecei a trabalhar com direitos humanos, quando estava na faculdade, e desde que me mudei para cá, trabalhei grande parte do tempo com liberdade de expressão. Na Relatoria Especial para Liberdade de Expressão, cheguei a apoiar uma relatoria nova para pessoas LGBTs, mas fora isso nunca me envolvi muito com ativismo.

Crio mecanismos para conversar com as pessoas sobre isso, vou ficando mais confortável. É um processo eterno, mas vai ficando, pelo menos para mim, cada dia mais fácil

iGay: Como fica essa questão da liberdade de expressão quando as pessoas mesmo sem querer dizem coisas ofensivas aos transexuais?

Luc: As pessoas acham que têm o direito de falar e que não são obrigadas a ser politicamente corretas. Eu sei que você tem o direito de fazer muitas coisas, mas não necessariamente elas vão me agradar. Eu não vou ser preso se ofender e falar coisas horríveis para as pessoas que eu amo, mas quem tem a preocupação de não machucar o outro e não causar um dano para alguém tem de escolher. Você tem o direito de usar a palavra que quiser, mas tem de usar sabendo que, mesmo sem consequência jurídica, terá uma consequência social para o que você fala.

iGay: Leelah Alcorn, a menina trans americana que se matou aos 17 anos, deixou uma carta de despedida dizendo que os pais precisam mudar, e as escolas precisam mudar, para melhorar a vida das pessoas trans. O que você acha?

Luc: Muitas vezes o que acontece na prática é o que aconteceu comigo, de os próprios filhos trans educarem os pais sobre questões de gênero. Em geral, quando os pais têm a cabeça aberta e querem dar apoio incondicional e ajudar os filhos ao máximo, a coisa vai bem. Mas pode ser muito difícil. A educação dos pais pelos filhos definitivamente é em longo prazo, demora muitos anos, é sempre um processo de estar reconstruindo e educando.

Vou fazer 26 no mês que vem e me descobri trans entre os 21 e 22. Faz uns quatro, cinco anos que comecei a pensar sobre isso, mas desde que eu finalmente contei para os meus pais e comecei a viver como homem tem uns três, quatro anos. Passei pela puberdade e não tinha a menor ideia

iGay: Mas você já era adulto quando descobriu que era trans.

Luc: Sim, eu não tive essa experiência de crianças trans que sempre souberam, essa história não foi muito a minha porque honestamente eu descobri que era trans muito tempo depois. Vou fazer 26 no mês que vem e me descobri trans entre os 21 e 22. Faz uns quatro, cinco anos que comecei a pensar sobre isso, mas desde que eu finalmente contei para os meus pais e comecei a viver como homem tem uns três, quatro anos. Passei pela puberdade e não tinha a menor ideia. Mas pelo que eu vejo tem muitos pais que quando começam a perceber que a criança está se comportando de uma maneira não usual, digamos assim, vão tentar descobrir, encontrar informação sobre como dar o melhor apoio e tal. Não é obrigação da criança de maneira alguma educar os próprios pais sobre isso.

iGay: Os pais de crianças trans, e mesmo os outros, têm de se informar sobre esse assunto, se não para entender melhor a família deles, para entender melhor o mundo.

Luc: Eu acho muito importante, com a quantidade de informação disponível, com a quantidade de crianças trans que estão na mídia, que os pais busquem informação sobre isso. Um exemplo muito visível hoje em dia é o da família da Angelina Jolie e do Brad Pitt. A criança deles está se identificando de uma maneira masculina, quer usar o nome John. Eles não têm certeza de que a criança é trans ou não e o que eles têm feito justamente é dar espaço e deixar ela se desenvolver e se identificar da maneira que quer, sem que a pressão da mídia interfira de alguma forma. É uma coisa muito positiva, especialmente com uma criança.

iGay: Mas a Angelina Jolie e o Brad Pitt são exceção em matéria de, bem, de tudo. A história da Leelah Alcorn é a regra, não?

Luc: Sim, infelizmente. Tem muitos exemplos de vídeos na internet de histórias de pais de crianças trans que contam como foi apoiar os filhos e tal, histórias boas, exatamente o contrário da história da Leelah Alcorn. Muitos pais sabem fazer muito bem o papel de apoiar, mas acho que justamente o fato de ter histórias positivas de pais com crianças trans é uma novidade. O caso da Leelah Alcorn é a regra ainda, na grande maioria dos lugares do mundo e em muitos lugares dos Estados Unidos. Espero que as coisas estejam começando a mudar um pouco para melhor. O caso da Leelah recebeu publicidade muito pelo que ela queria (ela pede na carta de despedida que sua morte não seja em vão), mas os casos de suicídios de adolescentes trans, ou até mais novas do que isso, são muitos.

Dados recentes sobre suicídio são assustadores: 41% das pessoas trans ouvidas pelo estudo em algum momento tentaram cometer suicídio nos EUA. Se você compara com 1.2%, que é o dado referente à população geral, você vê como histórias como a da Leelah são muito mais a regra do que a exceção

iGay: Você tem algum dado atual?

Luc: Pesquisa feita por uma organização bem grande nos EUA, a National Gay and Lesbian Task Force, rendeu relatório enorme sobre dificuldades e discriminação contra as pessoas trans nos Estados Unidos (Injustice at Every Turn - A Report of the National Transgender Discrimination Survey). Os dados sobre suicídio são assustadores: 41% das pessoas trans ouvidas pelo estudo em algum momento tentaram cometer suicídio nos Estados Unidos. Se você compara 41% com 1.2%, que é o dado referente à população geral, você vê como histórias como a da Leelah são muito mais a regra do que a exceção da relação com os pais e de falta de apoio da família e da sociedade em geral.

Nos EUA basicamente você tem de dizer para o juiz: ‘Quero mudar de nome porque me identifico com esse e não com aquele’. Nem tem a ver com você ser trans ou não ser, é uma mudança de nome, simplesmente

iGay: Você foi morar nos EUA por conta de ser transexual?

Luc: Vim para os EUA logo depois que terminei a faculdade, porque me ofereceram um emprego na Comissão Interamericana, num momento em que estava vivendo como trans há pouco tempo, menos de um ano. Essa questão era muito importante para mim e tive muitas facilidades aqui que até agora não tive no Brasil, como mudar o nome, mudar meu sexo nos documentos, de uma maneira muito mais fácil do que no Brasil. Os Estados Unidos são um país muito grande e a maioria das leis é estadual, então depende muito de onde você mora. Obviamente não é super fácil mudar de nome no Texas, mas DC é um dos melhores lugares em termos legais. Eu consegui mudar meu nome em um mês. É uma ordem judicial, mas é quase como um processo administrativo. Basicamente você tem de dizer para o juiz: ‘Quero mudar de nome porque me identifico com esse nome e não com aquele’. Nem tem a ver com você ser trans ou não ser, é uma mudança de nome, simplesmente. Meu green card já está com meu nome novo e com o sexo direito. Meu passaporte é brasileiro e não está mudado ainda, então eu viajo com dois nomes diferentes. No meu trabalho tive de justificar para o RH que, nas viagens, preciso chegar ao aeroporto com quatro horas de antecedência, para convencer a me deixarem embarcar com uma passagem com nome diferente do que está no meu passaporte.

iGay: E como é mudar de nome no Brasil?

Luc: O Brasil não tem uma norma legal especificamente para pessoas trans sobre mudança de nome. Então, basicamente o que você tem de fazer é abrir um processo judicial e se alguém decidir que não, por qualquer motivo, vou perder meu caso e não tem mais nada que eu possa fazer. Estou esperando para ver se a jurisprudência avança um pouco no Brasil antes de começar o processo para mudar de nome aí, porque é complicado. Nos Estados Unidos é mais simples e rápido, você muda o nome documento por documento. No Brasil você muda de nome na certidão de nascimento e depois em todos os documentos.

iGay: Você é a favor de adolescentes trans tomarem hormônio para bloquear a puberdade?

Luc: Pelo que li sobre esse tratamento, quando uma criança está desconfiada de que é trans, ela toma o bloqueador de puberdade para adiar qualquer decisão. Quando ficar mais velha, pode simplesmente parar de tomar bloqueadores e decidir tomar hormônios, ou não tomar e passar pela puberdade normalmente, ou também chegar à conclusão de que não é trans. Ela ganha tempo para decidir o próximo passo. Quando deixa de tomar o bloqueador, seu corpo se desenvolve a partir dali como se não tivesse tido nenhuma intervenção. Isso é fundamental especialmente para quem toma testosterona (hormônio masculino), pois alguns efeitos que a testosterona tem no corpo são irreversíveis, o que não acontece com o estrogênio (hormônio feminino). 

Não tomei hormônio e não pretendo tomar, mas acho essa pergunta interessante porque é muito invasiva, é o tipo de pergunta que deveria estar em todas as listas do que não perguntar para as pessoas trans

iGay: Você chegou a tomar hormônio ou toma hoje?

Luc: Eu te respondo que não, não tomei e não pretendo tomar, mas acho essa pergunta interessante porque é muito invasiva, é o tipo de pergunta que deveria estar em todas as listas do que não perguntar para as pessoas trans. Eu não tenho o menor problema de falar que faço parte dos homens trans que não tomam hormônio, mas é o tipo de coisa que a regra é: você perguntaria para uma pessoa que não é trans qual é a situação hormonal dela? Então, a não ser que seja combinado que esse assunto será abordado, não deve ser.

iGay: Acabei de aprender mais uma agora, esse erro eu não cometo mais. Obrigada pela delicadeza com que você tratou desse assunto.

Luc: A Laverne Cox (atriz transexual de ‘Orange is the New Black’) fez uma entrevista incrível com a Katie Curie (apresentadora de TV americana) em que aconteceu uma coisa parecida. A Katie Curie perguntou alguma coisa e a Laverne Cox deu uma resposta engraçada, mas que queria dizer que aquela pergunta não deveria ter sido feita. Um tempo depois a Katie Curie chamou a Laverne Cox de novo no programa para falar exatamente do que não deve ser perguntado para um pessoa trans. Foi um momento muito legal de aprendizado para o jornalismo. O que eu acho legal é justamente a gente ir aprendendo com essas coisas.

Passei a me identificar como trans há pouco, não tenho tempo suficiente para fazer análises comparativas na minha experiência pessoal. O fato de a Laverne Cox ter saído na capa da TIME é o tipo de coisa que deixa a gente muito otimista de que as coisas estão ficando um pouco melhores. Vamos ver.

iGay: A Laverne Cox é a primeira atriz trans a concorrer a um Emmy de melhor atriz, e também a primeira transexual a estampar a capa da revista TIME. Como é o mercado de trabalho americano para as pessoas trans?

Luc: Depende muito do Estado em que você está, óbvio que procurar emprego em NY será diferente de procurar emprego em outros lugares. Naquela mesma pesquisa que eu citei antes, 78% das pessoas trans reportaram ter sofrido algum tipo de discriminação no ambiente de trabalho, e eu inclusive estou nessa estatística. Mesmo que seja uma coisa pequena, aquilo fica com você e atrapalha seu trabalho. E eu estou num grande centro urbano, trabalho com direitos humanos, obviamente é mais difícil algo acontecer num ambiente como o meu do que numa outra área. Mas é um problema que existe e hoje em dia há muitos estados tentando aprovar leis contra discriminação por identidade de gênero, ou seja, está caminhando para ter uma proteção nacional contra discriminação. A gente sabe muito bem que lei não é prática, então mesmo com lei pode continuar sendo um problema, mas definitivamente é algo a que os mais progressistas estão atentos. O fundamentalismo está provocando reação na maioria das democracias do mundo e eu espero que a sociedade esteja evoluindo. Mas eu passei a me identificar como trans há pouco tempo, não tenho tempo suficiente para fazer análises comparativas na minha experiência pessoal. O fato de a Laverne Cox ter saído na capa da TIME é o tipo de coisa que deixa a gente muito otimista de que as coisas estão ficando um pouco melhores. Vamos ver.

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