Proibição total pode ser revista para homens gays que praticaram sexo com outro homem nos últimos 12 meses. Segundo o governo americano, eles são 2% da população, mas responsáveis ​​por ao menos 62% das novas infecções pelo HIV

O FDA, agência reguladora da saúde nos Estados Unidos, fez uma contraproposta ao veto total à doação de sangue por gays e bissexuais no país. Na terça-feira (23), o órgão afirmou que está considerando substituir a proibição geral por uma nova política de restrição, que proibe a doação apenas aos homens que fizeram sexo com outro homem nos últimos 12 meses, política adotada por países como Austrália, Japão e Reino Unido.

Desde 1983 está em vigor a proibição total de doação de sangue por gays nos EUA. Médicos e ativistas defendem que o veto, estabelecido em 1983, auge da epidemia mundial de Aids, não faz mais sentido. A Associação Médica Americana afirma que a atual política não é mais apoiada pela ciência, já que os métodos atuais de testagem de HIV são muito seguros. Os ativistas gays atacam a proibição como discriminatória e responsável por perpetuar estereótipos negativos. Porém, eles se questionam se a mudança na regra não segue sendo mais do mesmo, já que a restrição aos homens homossexuais que foram ativos no último ano não deixa de ser discriminatória.

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A Senadora Elizabeth Warren, possível presidenciável em 2016, tuitou contra a mudança parcial na regra
Reprodução
A Senadora Elizabeth Warren, possível presidenciável em 2016, tuitou contra a mudança parcial na regra

A Senadora americana Elizabeth Warren reagiu à notícia pelo twitter, criticando a proposta da nova política de doação a ser adotada pelo FDA. Ela disse que, enquanto a recomendação é um "passo à frente", ainda é " discriminatória".
A potencial candidato à presidência dos Estados Unidos em 2016 twittou que o FDA deve "ter coragem para definir políticas baseadas na ciência" , a fim de "comprometer-se com o fornecimento de uma maior e mais segura quantidade de sangue, baseado em exames que possibilitem evitar qualquer risco. "


Para o FDA, os primeiros passos em direção ao relaxamento da regra serão dados no início do ano, quando ser]á ouvida a opinião pública, os funcionários do FDA e jornalistas. O exemplo da Austrália foi citado para incentivar a mundança nos EUA, já que estudos recentes mostraram que não houve nenhuma alteração na segurança do suprimento de sangue desde que o país adotou a proibição apenas para homens homossexuais sexualmente ativos nos últimos 12 meses. 

HOMENS GAYS ATIVOS NOS EUA: 2% DA POPULAÇÃO

Dados do governo dão conta de que os homens que tiveram relações sexuais com outros homens representam cerca de 2% da população dos EUA, mas são responsáveis ​​por pelo menos 62% de todas as novas infecções pelo HIV. 

Todas as doações de sangue dos EUA são analisados para o HIV, mas o teste só detecta o vírus que estiver presente na corrente sanguínea por 10 dias. A Cruz Vermelha americana estima que o risco de contrair HIV em uma doação de sangue é de 1 em 1,5 milhão. Cerca de 15,7 milhões de doações de sangue são coletadas por ano nos EUA.

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