Violência e discriminação contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais mostram como está longe alcançar a igualdade por que lutamos

Em um ano marcado por ótimas notícias, com famosos saindo do armário, a causa LGBT pautando as eleições presidenciais no Brasil e avanço numérico dos lugares que aprovam o casamento gay - mais de 30 dos 51 Estados americanos realizam o casamento entre pessoas do mesmo sexo - , 2014 teve saldo positivo. No entanto, não é a hora de abaixar a bandeira e achar que a comunidade LGBT já está perto de obter a igualdade de direitos por que lutamos.

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Para lembrar que essa luta está longe de ser vencida, o iGay selecionou 30 fatos que noticiamos com muita tristeza e que esperamos não ter de repetir em 2015.

O ano de 2014 começou com a notícia de que o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan , assinou uma lei que proíbe o casamento gay e criminaliza associações, sociedades e encontros homossexuais , com penas de até 14 anos de prisão. Este, porém, não foi o único país que criminalizou a homossexualidade. Em fevereiro, o presidente de Uganda, Yoweri Museveni , sancionou uma lei que pune atos homossexuais com prisão perpétua .

“A África hoje é o continente com o maior número de leis homofóbicas, para diversos países da região. O caso de Uganda é particularmente chocante", comentou na época o assessor de direitos humanos da Anistia Internacional, Maurício Santoro . A organização revelou, em maio deste ano, que diversos governos ao redor do mundo ainda toleram a homofobia .

No Brasil, segundo a Anistia Internacional, a legislação melhorou nos últimos anos, mas ainda é um dos campeões em número de assassinatos de LGBTs, chegando a 300 por ano, de acordo com a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).

Em 2014, inclusive, foram diversas as notícias de agressões e assassinatos que demos no iGay. A mais marcante foi o caso de João Antônio Donati - um jovem de 18 anos que foi encontrado morto em um terreno baldio  em Inhumas, região metropolitana de Goiânia, em setembro. Ele tinha sinais de violência e um saco plástico dentro da boca. O assassino, um jovem de 20 anos, foi preso após confessar o crime, que não foi julgado como um caso de homofobia, mas sim como crime passional, por ele ter feito sexo com a vítima antes de matá-la.

O caso gerou repercussão internacional e protestos, mas a conversa sobre criminalização da homofobia não avançou. A comunidade LGBT aliás, foi repetidas vezes alvo do ataque de políticos e representantes de entidades religiosas, que reforçaram o preconceito e incitaram o ódio aos LGBTs.

A frase " aparelho excretor não reproduz ", dita em setembro pelo então candidato à presidência Levy Fidelix (PRTB) durante debate dos presidenciáveis da TV Record, vai ficar na memória dos milhares de brasileiros ofendidos pelo discurso homofóbico em rede nacional. Fidelix ainda chegou a dizer que "gays precisam de atendimento psicológico bem longe da gente" e que não estimularia a união homoafetiva caso fosse eleito.

No entanto, os direitos dos LGBTs foram pauta durante toda a campanha eleitoral de 2014, ajudando a dar visibilidade à causa gay e oferecendo esperança de que 2015 será um ano melhor para os direitos igualitários. A presidente Dilma Rousseff chegou a declarar, pela primeira vez, que é a favor da criminalização da homofobia . Essa fala veio imediatamente depois de Marina Silva retirar do seu plano de governo a mesma proposta.

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