Em entrevista ao iGay, idealizadora do "LGBT Volunteer Vacations" conta que intenção é espalhar a diversidade e retirar os rótulos dos LGBTs. Inscrições abertas para destinos como Itália, Grécia, Peru, Equador, Vietnam, México e Costa Rica

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ONG "Global Volunteers" lança o primeiro programa de voluntariado voltado especificamente para o público LGBT

"Espalhar a paz e promover a justiça" é o lema da Global Volunteers , organização não-governamental norte-americana que oferece opções de programas de voluntariado desde 1984 e já conta com mais de 30 mil participantes. Com o foco de levar o bem-estar e a educação formal para populações carentes de diversos países do mundo, a ONG organiza grupos para passar de uma a três semanas em lugares como Peru, Equador, México e Vietnam. Em junho deste ano, a Global Volunteers lançou o primeiro programa de voluntariado voltado especificamente para o público LGBT.

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Em entrevista ao iGay , a idealizadora e diretora do programa, Linda Schlapp , conta que a ideia surgiu depois que ela mesma, trabalhando como voluntária no Vietnam em 1995, se assumiu lésbica. "Não tinha nada que garantisse que os voluntários homossexuais pudessem, primeiro, ser eles mesmos sem ter de esconder sua identidade enquanto estão viajando e, segundo, ter a garantia de que estão em um ambiente seguro", conta ela. Assim, Schlapp desenvolveu seu projeto e, neste ano, conseguiu o apoio da Global Volunteers.

As atividades dos viajantes podem variar de dar aulas de inglês a trabalhos manuais
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As atividades dos viajantes podem variar de dar aulas de inglês a trabalhos manuais

Com o nome de "LGBT Volunteer Vacations", o programa levou a sua primeira turma de voluntários LGBTs para a Costa Rica em agosto passado. Lá, o grupo de cinco pessoas trabalhou lado a lado com a comunidade local de Santa Elena, região florestal, ajudando a construir uma escola inteiramente ecológica. "Nós queremos mostrar que os membros da comunidade LGBT podem trabalhar ao redor do mundo e que nós somos apenas seres humanos querendo ajudar. Trabalhando lado a lado com a população local eles passam a nos ver sem nenhum rótulo", diz.

A diretora gostaria, claro, que não fosse necessário existir um programa específico para os gays, mas diz que, infelizmente, é preciso pensar primeiramente na segurança dos voluntários. Para isso, só são oferecidos destinos em que não existem leis anti-gays e as comunidades são avisadas antes de que se tratam de voluntários LGBTs, para saber se a população ficará confortável com essa situação e, consequentemente, os voluntários também.

Oferecemos o que a população necessita. No tempo livre tentamos conhecer os ativistas locais, políticos, e entender como é que é ser gay naquele local." (Linda Schlapp)

"Os projetos que os voluntários fazem não têm necessariamente a ver com a comunidade LGBT do local. Pelo contrário, nós oferecemos o que a população necessita. Apenas no tempo livre é que tentamos conhecer os ativistas locais, políticos, e procuramos entender como é ser gay naquele local", diz Schlapp.

Desta maneira, as atividades que os viajantes fazem podem variar de dar aulas de conversação de inglês a trabalhos manuais, como construção de casas e hospitais. Tudo vai depender do que a população está precisando com mais urgência. Outro ponto que a diretora ressalta é que sempre há voluntários locais trabalhando ao lado dos estrangeiros. "Fazemos isso justamente para que haja a troca de experiência e cultura", conta.

Para cidadãos norte-americanos e canadenses, os custos do programa - que variam de US$ 995,00 a US$ 3.795,00 - podem ser abatidos do imposto de renda, mas voluntários do mundo inteiro podem se inscrever. Inclusive, os heterossexuais também são bem vindos, desde que estejam de acordo em participar de todas as atividades.

Atualmente, a Global Volunteers está com inscrições abertas para 10 programas de voluntariado LGBT, com destinos como Itália, Grécia, Peru, Equador, Vietnam, México e Costa Rica. Para saber mais, acesse o site da organização clicando aqui .

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