Dois meninos e duas meninas viajam e dão seus pareceres sobre os lugares visitados. Eles já comentaram Inglaterra, Austrália, Grécia e França, e o Brasil também, é claro

O famoso 'pink money' - definição dada ao "dinheiro rosa" que os LGBTs injetam no mercado - já é foco dos departamentos de turismo e viagem faz tempo. Para atrair o turista gay, investem em publicidade, em Paradas do Orgulho LGBT, em programas de incentivo para estabelecimentos gay friendly, em treinamento dos funcionários. Mas nada como ouvir a opinião de quem já viu com os próprios olhos.

Quando planejamos uma viagem, estamos sempre atrás "daquelas dicas" preciosas que nos levem aos lugares mais divertidos e transados. Pensando nisso, quatro blogueiros amantes de viagens resolveram reunir suas dicas e opiniões sobre os lugares por onde passaram, com foco especial nos viajantes LGBTs. Formado por um casal de lésbicas, Amanda Fernandes e Eloah Cristina, e dois gays, Fábio Pastorello e Rafael Leick, o ' Viaja, Bi! ' tem pouco mais de um mês, mas já traz vários artigos com indicações de hospedagens, restaurantes e baladas gay friendly de países como Inglaterra, Austrália, Grécia e França, além de do Brasil, claro.

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"Tem muita gente que viaja só pra destinos que tenham atrativos gays. E tem os que viajam porque amam viajar, mas gostam de dar aquele toque colorido na experiência. Nós queremos falar e representar todas essas 'bis viajantes'", contam os blogueiros.

Amanda Fernandes passou por uma situação chata junto de sua esposa Eloah enquanto estavam em lua de mel. O hotel não ofereceu uma cama de casal para elas.
Divulgação/Viaja Bi!
Amanda Fernandes passou por uma situação chata junto de sua esposa Eloah enquanto estavam em lua de mel. O hotel não ofereceu uma cama de casal para elas.

Além de dicas de ferveção e pontos turísticos, eles falam que o mais importante é contar sobre a cultura do local, se é gay friendly ou não, justamente para que os homossexuais não se deparem com situações desagradáveis em plenas férias.

"É sempre importante tomar bastante cuidado. Já escutamos relatos de meninas no Egito que não podiam sequer chegar uma próxima da outra. Imagina o que pode acontecer com duas garotas andando de mãos dadas?", contam. "Aqui no Brasil, por exemplo, o estado do Pernambuco é um com os maiores índices de crimes homofóbicos, por exemplo. Então, é preciso pesquisar muito sobre a cultura do lugar antes de comprar as passagens."

CAMAS SEPARADAS NA LUA DE MEL

As próprias Amanda e Eloah já foram vítimas da desinformação. Para a lua de mel, foram presenteadas com uma estadia no Hotel Armação, em Porto de Galinhas (PE). Chegando lá, mesmo avisando ao gerente antes sobre a ocasião, o quarto tinha duas camas de solteiro, o que não é a coisa mais romântica para duas pessoas que acabaram de se casar. Elas tiveram de insistir muito por uma cama de casal, e o máximo que conseguiram foi que juntassem as duas camas de solteiro.

"Estamos em lua de mel. Eu queria no mínimo ficar bêbada e dormir juntinho, né?", conta Amanda em relato ao blog. As duas não chegaram a se sentir ofendidas e acreditam que a gerência do hotel não tenha feito por mal - hoje, inclusive, o Hotel Armação tem selo de gay-friendly. Porém, essa situação poderia ter sido evitada se elas já tivessem buscado uma hospedagem acostumada a receber turistas LGBTs.

Para avaliar se uma cidade ou um ponto turístico é receptivo ou não com os gays, os blogueiros buscam observar a reação da população local quando eles chegam, se há olhares tortos quando se abraçam ou trocam carinho em público, e até mesmo caminhando de mãos dadas. "Tem lugares em que agir assim é totalmente inviável, já em outros é encarado naturalmente. Você olha ao redor e tem muitos outros casais gays agindo igual", dizem eles.

Londres, na Inglaterra, é um dos destinos que eles consideram o mais gay-friendly
Thinkstock/Getty Images
Londres, na Inglaterra, é um dos destinos que eles consideram o mais gay-friendly

PRAIA E BALADA NO TOPO DA LISTA

Segundo os blogueiros, entre todos os lugares que já visitaram, os que têm mais opções de lazer e melhor recebem os homossexuais são Mykonos (Grécia), Londres (Inglaterra), Berlim (Alemanha) e Buenos Aires (Argentina). "Não podemos deixar de citar São Paulo, claro, que tem uma noite bem agitada", completam.

Depois de passarem por diversos lugares e de conhecerem outros blogueiros e LGBTs amantes de viagens, a conclusão da equipe do "Viaja, Bi!" é que os destinos turísticos que unem praia e balada ainda são os favoritos dos gays. Mas, claro, existem opções para todos os gostos, desde os baladeiros que curtem virar a noite e emendar com uma after party na areia até os que gostam de se aventurar em um mochilão e cair numa trilha, escalar montanha ou andar de caiaque. "É um pouco isso que queremos mostrar com o blog, que o turismo gay não é feito só de cruzeiros", observam.

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