Com sucesso que surpreendeu até o autor, "Torta de Climão" já conta mais de 8 mil leitores em sua página na rede social

As novelas já têm, os seriados de TV também, o cinema sempre teve, no teatro nunca faltaram personagens gays. Porém, foi por sentir falta do universo LGBT no universo das histórias em quadrinhos que o ilustrador e designer Kris Barz , de 29 anos, decidiu criar o "Torta de Climão" - um HQ com personagens LGBTs e simpatizantes que vem fazendo sucesso na rede social Facebook. Desde a sua criação, em 1º de setembro deste ano, a página do "Torta de Climão" já conta com mais de 8 mil leitores.

- Livros e filmes essenciais para conhecer e entender o movimento gay

O quadrinista, homossexual assumido, diz que a intenção do quadrinho não é contar a história dos personagens apenas de forma didática e inclusiva, mas também ilustrar situações do dia a dia que são comuns aos homossexuais de forma bem humorada e despretensiosa, mas com bom gosto.

Kris Braz, ilustrador,quadrinista e designer
Divulgação
Kris Braz, ilustrador,quadrinista e designer

"Há várias formas de se fazer e se apreciar humor, mas o irônico, crítico e inteligente é sempre o meu preferido. É o que eu estou tentando usar no meu trabalho. Se o fato de a pessoa retratada ser uma minoria historicamente oprimida for o que causa a risada, obviamente é o tom errado", analisa ele.

SIGA O IGAY NO FACEBOOK

"Na minha opinião, diminuir uma pessoa pelo fato dela ser minoria não é humor e nunca vai ser engraçado, e isso inclui piadas que diminuem mulheres, gays, gordinhos, negros, transgêneros, travestis, pobres, etc."

Diminuir uma pessoa pelo fato dela ser minoria não é humor e nunca vai ser engraçado

Os personagens são inspirados no próprio autor e em seus amigos. Para encontrar temas e situações para as tirinhas, ele usa suas experiências pessoais, histórias de pessoas próximas e matérias que vê na internet. Até uma gíria nova pode servir de inspiração para Kris, que anota suas ideias onde estiver, se for preciso em guardanapos para não esquecer, e depois as transforma em quadrinhos.

Para ser fiel à realidade e gerar discussões construtivas entre os leitores, algumas tirinhas são mais críticas. Os próprios personagens revelam ter preconceitos e inseguranças, como na historinha de número 17, chamada de  "Pinta" , em que Bruno pergunta ao amigo se ele dá muito na pinta que é gay. Esta, inclusive, foi a tirinha mais curtida e compartilhada até agora.

O sucesso do quadrinho, além de surpreender Kris, também mostra a carência de representação da população LGBT nos HQs. "O que eu espero mesmo que aconteça se o meu quadrinho continuar com boa aceitação é que outros quadrinistas se sintam inspirados para criar projetos que abordem mais questões LGBT", conta ele, que já planeja lançar uma história em quadrinhos mais longa no próximo ano, com apoio dos leitores, por meio de sites de financiamento coletivo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.