Um simples grito por ajuda pode ser o suficiente para assustar o agressor e impedir que a violência termine em tragédia

Segundo levantamento do Grupo Gay da Bahia (GGB), uma morte de LGBT acontece a cada 28 horas motivada por homofobia no Brasil. O ideal seria que as agressões não acontecessem, mas está claro que ainda temos um caminho pela frente até que o brasileiro se conscientize da tolerância e do respeito à diversidade sexual. Enquanto essa luta ainda está longe de terminar, é preciso saber se defender e defender ao próximo em situações de risco.

Ato protesta contra homofobia
Anna Castelo Branco
Ato protesta contra homofobia


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Se você presenciar um ataque homofóbico - e, na verdade, essas dicas valem para qualquer tipo de agressão -, não tente separar o agressor da vítima corporalmente. "O risco de tentar apartar é a pessoa fazer parte da agressão. Se o agressor estiver armado, por exemplo, ela pode correr perigo de vida", adverte o coronel reformado da Polícia Militar e psicólogo social José Vicente da Silva Filho. "O ideal é só fazer isso em último caso e apenas se tiver condições técnicas, como lutadores ou pessoas treinadas, e assumir o risco", diz.

Segundo José Vicente, a primeira atitude de quem presencia uma agressão deve ser gritar. Não existe um grito específico, pode ser um grito de socorro ou até mesmo gritar "fogo", tudo para chamar o máximo de atenção das pessoas à volta para o que está acontecendo. À medida que muitas pessoas notam aquele fato, fica mais fácil a identificação do agressor, e isso deixa ele assustado.

Apanhei pelo medo do diferente, apanhei por ser eu. Ganhei o medo de presente"

"Continue gritando por ajuda enquanto procura por um telefone e digita 190 [número para emergências da Polícia Militar]. O grito é sempre uma situação que pode interromper a agressão", aconselha ele. O tempo estimado para a chegada de socorro policial é de 5 minutos, então a recomendação é que as testemunhas tentem acuar o agressor dizendo que chamaram por ajuda e que a polícia já está chegando.

Assim que a ajuda chegar, a testemunha deve passar os dados pessoais para a polícia e também para a vítima, para colaborar com as futuras investigações e identificação do agressor.

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A secretaria de segurança pública, representada por seu assessor de imprensa, Paulo de Tarso, reforça a fala de Silva Filho e dá ainda um outro conselho: registre a cena com seu celular. Nesse caso, além de acuar o agressor, aumenta a chance de reconhecê-lo posteriormente. "A Polícia Civil recomenda que seja acionada a Polícia Militar, pois há risco na realização de intervenção por pessoa não qualificada para tal", diz Paulo de Tarso.

"Recomenda também, se possível, captar imagens por filmagem ou fotografia, mantendo uma distância segura dos infratores. A Polícia Civil informa que é de grande importância que a testemunha se apresente a um distrito policial a fim de narrar sua versão dos fatos, auxiliando na descrição e eventual reconhecimento dos agressores, o que contribuirá nos trabalhos de investigação, já que seu testemunho é fundamental em futura ação penal para a condenação dos autores."

Então é isso: grite, chame a polícia, filme ou fotografe a cena. Parece pouco, mas essas atitudes podem salvar a vida de uma pessoa e ajudar a diminuir os casos de agressão motivada por homofobia no Brasil, ou por outros motivos. O importante é ajudar ao próximo independente de quem seja.

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