A exposição “Todos podem ser Frida” e a peça "Diego y Frida", ambas em cartaz em São Paulo, são alguns retratos de Frida Kahlo. Lembre como cinema contou a sua história

Frida Kahlo foi à exposição de Frida Kahlo na noite de quarta-feira (12) em São Paulo. A primeira era a versão teatral da pintora mexicana, interpretada por Leona Cavalli na peça "Diego y Frida", em cartaz no Teatro Raul Cortez. A segunda era uma produção da fotógrafa Camila Fontenele, que retratou homens e mulheres caracterizados como Frida para a exposição " Todos podem ser Frida ", em exibição no Centro de Diversidade Sexual.

Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor" (Frida Kahlo)

Não faltam homenagens à artista surrealista que cunhou a frase “Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor”, soube transformar sofrimento em arte e viveu uma vida entremeada pela dor e pela paixão. Essa intensidade naturalmente seduziu o cinema, que se desdobrou sobre sua persona tanto na ficção como no formato documental.

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Bissexual assumida, a pintora foi vivida por duas atrizes mexicanas no cinema, Ofelia Medina e Salma Hayek. A caracterização mais famosa de Frida é a de Salma Hayek no filme “Frida” (2002), assinado por Julie Taymor. A fita americana concorreu a seis prêmios no Oscar, incluindo melhor atriz, e venceu nas categorias de maquiagem e trilha sonora. O drama, que fez bastante sucesso no México, mostra a vida de Frida desde sua adolescência até sua morte, e explora bastante a turbulenta relação com o grande amor de sua vida (o pintor Diego Rivera, interpretado pelo ator Alfred Molina), e seus frequentes casos extraconjugais com homens e mulheres.

Já “Frida, natureza viva” (1983), coprodução entre Espanha e México dirigida por Paul Leduc, é mais conservador e solene no retrato que faz da pintora. Em seu leito de morte, Frida (Ofelia Medina) relembra os pontos cruciais de sua vida, como seu engajamento político, a poliomielite na infância, a agitada vida sentimental e o casamento com Rivera. A atenção à bissexualidade da mexicana é modesta e é algo apenas sutilmente sugerido, diferente do que ocorre no filme lançado quase duas décadas depois.

À parte essas biografias mais convencionais, Frida foi emulada por outras intérpretes que deram voz à pintora em documentários que reproduziam algumas de suas falas mais marcantes.

NINGUÉM MELHOR DO QUE FRIDA PARA SER A FRIDA

Nenhuma estrela é capaz de tangenciar o fascínio de Frida mais do que a própria Magdalena Carmen Frieda Kahlo y Calderón, nome de batismo da pintora. Não à toa, documentários produzidos em épocas distintas se dispuseram a investigar essa figura tão diversa, complexa e apaixonante. “The life and death of Frida Kahlo” (1966) é o primeiro de uma série de filmes do gênero que buscaram repercutir o mito e a mulher.

A produção americana se incumbe de tirar Frida da sombra de seu marido no tocante à arte. E revela uma mulher obsessiva com a maternidade, algo que ficara severamente distante após um acidente que perfurou seu útero aos 18 anos. “Portrait of an artist: Frida Kahlo” (1983) avança no caminho proposto por “The life and death...” e retrata Frida como a mais importante artista da renascença mexicana e uma das figuras mais impressionantes do século XX. O filme dispôs de imagens de arquivo nunca vistas, o que colaborou para receber alguns prêmios em festivais mundo afora.

Em 2001, um média-metragem da série “Grandes mulheres artistas” homenageia Frida. Em aproximadamente 50 minutos, o filme se dedica a destrinchar o material artístico da pintora. O foco aqui recai mais sobre seu trabalho do que sobre sua vida. Já “The life and times of Frida Kahlo” (2005), documentário produzido para a TV americana, se preocupa mais em mostrar o viés político de Frida, bem como sua influência cultural no México, na poesia, na fotografia e mesmo na causa gay.


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