Perceber que sua sexualidade não segue o fluxo da maioria é um capítulo da vida de todo LGBT. O cinema fez sua parte mostrando várias versões desse momento. Já viu esse filme?

Todo LGBT já passou por isso. Alguns muito cedo na vida, com traços que surgem ainda na infância, outros na puberdade, quando o desejo sexual começa a aflorar e brota num lugar inesperado, outros em etapas mais maduras da vida. Se descobrir dono de sexualidade alternativa é um processo complexo - às vezes penoso, às vezes reconfortante, às vezes natural. E o cinema fez sua parte retratando a descoberta da homossexualidade em várias versões. Veja 10 filmes que tratam desse momento.

Toda história de amor tem sua dose de drama, e não é diferente em “ Azul é a cor mais quente ” (direção de Abdellatif Kechiche, 2013) e “ O segredo de Brokeback Mountain ” (Ang Lee, 2005), dois filmes importantes sobre o universo gay. Fizeram sucesso, ganharam prêmios, e sem fazer concessões ao cinema comercial atingiram o grande público contando histórias de amor homossexual intensas e cativantes.

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Em dois universos completamente diferentes, têm em comum o fato de abordar a reação dos personagens à descoberta gradativa que fazem sobre seus desejos. Nos dois casos, a atração por pessoas do mesmo sexo literalmente atropela os fatos e une dois caubóis no interior dos Estados Unidos e duas jovens em Paris.

Outros filmes menos festejados e conhecidos trataram do mesmo tema: o momento em que o personagem percebe que sua sexualidade não segue o fluxo da maioria. Um exemplo é o canadense “ Quando a noite cai ”, lançado em 1995. A trama mostra uma professora que não refuta as tendências conservadoras que a circundam (a faculdade em que trabalha, o namorado, os amigos...), mas se confronta com o sentimento libertário e incendiário que nasce quando conhece por acaso uma artista circense. O roteiro trabalha com simbolismos e versa justamente sobre o poder transformador do amor e a abertura que ele propõe para o novo, para o diferente.

Ainda da década de 90, outra fita interessante é a inglesa “ Delicada atração ” (1996). Jamie é um garoto introvertido que abandona a escola para fugir do futebol. Ele é vizinho de Ste, rapaz popular e atlético que enfrenta problemas familiares. Ste começa a frequentar a casa de Jamie e a amizade que nasce entre os dois evolui para um sentimento mais complexo e um interesse carnal entre os adolescentes. Os dois não sabem exatamente como administrar a situação e receiam a reação familiar que a proximidade entre eles pode precipitar.

Se sensibilidade e ternura são palavras-chave na descoberta da homossexualidade, não há como não mencionar o pré-candidato brasileiro ao Oscar de filme estrangeiro, “ Hoje eu quero voltar sozinho ” (2014). O filme de Daniel Ribeiro mostra o jovem cego Leonardo às voltas com a descoberta de sua sexualidade, circunstância influenciada pela chegada de Gabriel à sua escola. O delicado filme expõe, tanto pela deficiência física do protagonista como pela narrativa - a melhor amiga é apaixonada por Leonardo, que sente surgir por Gabriel um sentimento que o novo amigo retribui -, como em certos casos a homossexualidade aflora de maneira invisível e orgãnica.

No norueguês “ O homem que amava Yngve ” (2008), a chegada do personagem que dá título ao filme desestabiliza Jarle Klepp, jovem de 17 anos que tem uma banda de punk rock e vive a efervescência da queda do muro de Berlim. Estamos em 1989 e a homossexualidade ainda é um tabu atroz. Aos poucos, o popular Klepp vai se tornando um tipo solitário, no mesmo compasso em que padece de amor. O drama norueguês, com ótima trilha sonora, estipula as dificuldades de toda uma geração em sair do armário.

O americano “ De repente, Califórnia ” (2007) e o alemão “ Plano B ” (2009) abordam a descoberta da homossexualidade pelo viés do romance. Estratégia bem-vinda em dois filmes contemporâneos que refletem um novo paradigma social. Descobrir-se gay não é o fim do mundo e filmes que assumem certa leveza nesta contextualização contribuem para a transformação do olhar do público.

Afinal, os héteros também precisam descobrir a homossexualidade, nem que seja no cinema.


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