No sábado (18), Igreja volta atrás na postura positiva declarada anteriormente e reforça que o casamento gay não pode ser comparado ao heterossexual, o "plano de Deus para a família"

Reuters

Terminou no sábado (18) a reunião de duas semanas que levou 200 bispos católicos do mundo inteiro a Roma. Após uma primeira versão do documento lançada na segunda-feira (13), onde a Igreja saudava os homossexuais com "boas-vindas", o relatório final decepcionou as expectativas de que a Igreja estivesse diposta a estreitar os laços com os homossexuais.

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Para os bispos conservadores que se aborreceram e prometeram alterar o texto inicial, seu conteúdo teria provocado confusão entre fiéis e ameaçado prejudicar a família tradicional. Assim, as frases "aceitar e valorizar orientações sexuais (dos homossexuais)" e dar-lhes "uma casa acolhedora" foram excluídas da versão final, que falava apenas, nos últimos dois parágrafos, em oferecer "atenção pastoral para as pessoas com orientações homossexuais".

A nova versão usa termos mais vagos, repetindo declarações anteriores da igreja de que os gays "devem ser acolhidos com respeito e sensibilidade" e que a discriminação contra gays "deve ser evitada". E ainda reforçou que "não há fundamento absoluto" para comparar o casamento homossexual ao casamento heterossexual, o "plano de Deus para o matrimônio e a família".

ENQUANTO ISSO, NA PREFEITURA DE ROMA...

O prefeito de centro-esquerda de Roma, Ignazio Marino, afirmava que o sábado havia sido "um dia esplêndido". Numa atitude que enfureceu a Igreja Católica, ele reconheceu a validade de 16 casamentos gays, entre 10 casais do sexo masculino e 6 do sexo feminino, realizados fora da Itália.

Um pequeno grupo de manifestantes fora da prefeitura gritava "vergonha" e "palhaços" e levantou cartazes dizendo "Não ao casamento gay." Maurizio Gasparri, senador do partido de oposição Forza Italia, do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, disse que Marino estava "desafiando a lei" e deveria renunciar.

Embora o casamento gay seja ilegal na Itália, algumas cidades têm permitido que casais homossexuais casados legalmente em outros países registrem suas uniões em prefeituras, quando retornam, assim como fazem casais heterossexuais que se casam fora da Itália.

O reconhecimento é importante para regulamentar questões como herança, seguros e pensões. A questão é altamente polêmica num país onde a Igreja tem considerável influência sobre a política.

Pesquisa feita no ano passado mostrou que o casamento gay é apoiado por apenas um quarto da população da Itália. Na mesma pesquisa, 85% apoiaram o reconhecimento das chamadas "uniões civis" entre casais do mesmo sexo.


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