Pesquisa revela que crianças negras e hispânicas com tendências ou assumidamente homossexuais são alvo de preconceito por autoridades escolares nos Estados Unidos

Crianças e jovens negras homossexuais são alvo de preconceito nas escolas
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Crianças e jovens negras homossexuais são alvo de preconceito nas escolas

Um estudo elaborado em parceria pela Universidade do Arizona e pela Gay Straight Alliance Network , organização norte-americana que investiga o comportamento relacional entre gays e héteros nas escolas dos Estados Unidos, indicou que crianças e adolescentes negras ou hispânicas que sejam gays ou “que não se adequem ao estereótipo usual de menino e menina” estão mais propensos a ações rígidas e desproporcionais por parte das escolas.

Além de sofrerem bullying de seus colegas, essas crianças estão sendo tratadas de maneira preconceituosa por professores e demais pedagogos envolvidos na administração das escolas, conclui o estudo. O trabalho foi divulgado nesta quarta-feira (8). Os pesquisadores acompanharam grupos focais e conduziram séries de questionários em diferentes regiões do País desde o início de 2012 para produzir o material intitulado "A juventude de cor LGBT".

38,3% foram fisicamente agredidos em virtude de sua orientação sexual"

O estudo apurou que essas crianças se sentem acuadas pelas autoridades escolares e responsabilizadas pelo bullying que sofrem. “Quando eu vou contar sobre um bullying (professores e administradores) tomam o lado deles e dizem: É sua culpa por se vestir dessa maneira o tempo todo...”. Há muitos relatos como este no estudo. “Eu ponho minha maquiagem. É meu jeito de me expressar e um dos meus professores diz que seu for usar maquiagem, ele irá colocar minha carteira do lado de fora pelo resto do ano. Quer dizer que todo mundo pode usar maquiagem, mas por ser menino eu não posso...”

63% foram agredidos verbalmente por sua orientação de gênero sexual"

"Nossa pesquisa mostra que jovens gays negros e hispânicos em particular, encaram frequente e persistente assédio baseado em preconceito dos colegas e funcionários da escola, bem como o aumento da vigilância e policiamento, relativamente maiores incidentes de punições escolares, contribuindo para sua própria vitimização”, diz o relatório. O estudo destaca, ainda, que enquanto crianças e jovens gays negros representam 6% da população americana, eles constituem 15% da população juvenil carcerária.

Confira um trecho do Estudo:

“Um jovem gay negro foi suspenso por uma semana em uma escola majoriatiamente frequentada por negros por ter ido para classe com aplique em seu cabelo. Nenhuma garota foi suspensa por usar aplique naquela escola”.


Estudo tenta iluminar precariedade no tratamento à juventude LGBT nos EUA
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Estudo tenta iluminar precariedade no tratamento à juventude LGBT nos EUA








O estudo conclui que mais pesquisas são necessárias para prover o suporte ideal às crianças e adolescentes gays negras e hispânicas vítimas de um preconceito classificado como “atroz” nas escolas americanas. No Brasil, ainda não há nenhum material acadêmico sobre o tema.

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