Série americana recebe elogios pela inteligência e criatividade com que aborda a decisão de um pai de família de mudar de sexo, mas recebe críticas por não escalar uma atriz trans para o papel

“Sofisticada, introspectiva, com a qualidade de um filme independente que deve render uma audiência menor do que a extremamente cativante “Orange is the new black”, mas que se mostra mais centrada e com tons bem específicos”. Assim classificou o prestigiogado semanário The Hollywood Reporter em sua elogiosa crítica a série “Transparent”, uma das sensações entre as novas séries americanas. A produção da Amazon , cuja primeira temporada completa já está disponível na Apple TV, recebe elogios no mesmo compasso em que desperta fúria.

“Transparent” mostra a reação de uma família à revelação de que o professor universitário Mort Pfefferman (interpretado pelo ator Jeffrey Tambor ) está virando Maura. Sim, embora os três filhos crescidos de Mort pensassem que ele revelaria um câncer, ele se assume um transexual. Aos 70 anos. A decisão de mudar de sexo, naturalmente, impacta a família de maneira aguda e variada. A abordagem deste momento sensível é sutil e criativa.


A série criada por Jill Soloway , a despeito dos elogios, enfrenta severa resistência de setores da comunidade LGBT. Mulheres trans têm se posicionado, principalmente nas redes sociais, contra o fato de Mort/Maura ser interpretado por um ator heterossexual.

A principal queixa dos oposicionistas a Jeffrey Tambor no papel é de que a opção por ele seria estranha às pretensões do programa; uma vez que apenas atores heterossexuais são contratados para viver personagens transgêneros. Jared Leto (“Clube de Compras Dallas”) e Felicity Huffman (Transamérica) que receberam muitos prêmios e aclamação crítica por interpretarem personagens transgêneros são usados como justificativa para uma reserva de mercado em ordem de facilitar o emprego de atores e atrizes transexuais.

A discussão, que tem tirado “Transparent” da perspectiva desejada por Jill Soloway, fez com que a atriz Amy Landecker , que na série interpreta a filha mais velha de Mort/Maura, ela mesma balançada com o reaparecimento de uma amiga lésbica em sua vida, saísse em defesa da escolha de Jill Soloway em uma entrevista ao Huffington Post . “Ela escolheu Jeffrey porque ele a lembra do pai dela, também um transgênero”, contextualizou Amy. “Acho que Jeffrey (Tambor) precisa de crédito porque muito do sucesso da série se deve a sua apaixonada e extraordinária performance”.

Landecker lembrou, ainda, que Soloway contratou o maior número de profissionais transgêneros da história de qualquer produção audiovisual americana. “Atores, roteiristas, maquiadores, câmeras...”, enumerou. “Tem ação de afirmação trans em todos os setores da produção”, comentou a atriz ao endossar a decisão da criadora e principal produtora do programa.

A atriz, ao fazer uma comparação com a série “Will & Grace”, reiterou uma aposta da série: “Ela pode realmente salvar vidas. Nós sentimos que fazemos parte de um movimento tanto quanto de um série de tv. É como quando “Will & Grace” surgiu nos anos 90 e ajudou na aceitação da cultura gay . Eu sinto que estamos indo um passo além nesse sentido”.

Confira o trailer de "Transparent":


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