O cangaceiro Lampião era gay, Maria Bonita transava com outros e Expedita pode não ser filha dos dois. Família tentou impedir a publicação de livro que sugere essa história

Tânia Alves e Nelson Xavier na minissérie
Divulgação
Tânia Alves e Nelson Xavier na minissérie "Lampião e Maria Bonita", de 1982

Escrito pelo juiz aposentado Pedro Moraes, o livro “Lampião e o Mata Sete” já pode ser lançado. A família do cangaceiro, na figura de Vera Ferreira, neta de Lampião, conseguiu proibir a publicação, a doação e a venda da obra com a alegação de que se tratava de exposição desnecessária da sexualidade de Lampião. O autor entrou com recurso e na terça-feira (30) o desembargador Cezário Siqueira Neto definiu que “proibir o lançamento do livro é reprimir a liberdade de expressão.” A sentença de proibição da obra foi derrubada por unanimidade, dois anos depois de proclamada.

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O juiz disse ainda que é direito da família, ao se sentir ofendida pelo conteúdo do livro, "valer-se dos meios legais cabíveis", como pedir indenização por danos morais ao autor. Mas que impedir o direito de livre expressão do autor da obra caracterizaria censura.

A família argumenta que o livro retrata a sexualidade de Virgulino Ferreira e de Maria Bonita, enfatizando que ele era gay e que ela era adúltera, e que isso seria uma violação da privacidade do casal.

“A quem interessa se ele era gay ou não? O livro agride por demais, afirmando que Lampião era gay, que Maria Bonita era adúltera e até que Expedita Ferreira Nunes não é filha dos dois. Isso causou transtornos a toda a família, aos netos, aos bisnetos na escola”, disse o advogado da família, Wilson Wain, para defender o embargo da obra.


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