Candidato do PRTB, com menos de 1% das intenções de voto, sumiu depois de dizer que "órgão excretor não reproduz" em debate na TV. Tem negado todos os pedidos de entrevista

Assim como aconteceu no Brasil em movimentos espontâneos pelas redes sociais, em passeatas de desagravo, em declarações de políticos e na reação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), que pede a punição de Levy Fidelix por homofobia, órgãos internacionais de defesa dos LGBT estão contestando as declarações do candidato do PRTB."Foi muito absurdo e grotesco. Ele é um parasita da política brasileira", disse Beto de Jesus, secretário da Associação LGBT para a América Latina e o Caribe. Ativistas dos direitos gays estão incentivando os brasileiros a formalizar reclamações contra Fidelix e pedem que seja proibida a participação do candidato no debate presidencial final, que acontecerá na quinta-feira (2) na Rede Globo.

Foi muito absurdo e grotesco. Ele é um parasita da política brasileira (Beto de Jesus, da Associação LGBT para América Latina e Caribe)

Lembrando o caso: durante debate no domingo (28), na TV Record, a candidata do PSOL, Luciana Genro, perguntou a Fidelix por que as pessoas como ele, que defendem a instituição familiar, não reconhecem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Entre outras coisas, ele disse que o país precisa se voltar contra os gays, que devem receber ajuda psicológica bem longe da população brasileira. Ele disse ainda que é feio ver dois gays de mãos dadas passeando pela Avenida Paulista.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), colunista do iGay , criticou a conduta dos candidatos presidenciais que participavam do debate. Ela cobra uma reação mais contundente de todos os presentes, e afirma que se a metralhadora de Fidelix tivesse sido apontada para outras minorias, como pessoas com deficiência ou a comunidade judaica, a reação dos outros candidatos, e dos mediadores do debate, teria sido imediata. 

Procurada, a TV Record disse que a legislação eleitoral impede os apresentadores de comentar as opiniões dos candidatos. 

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Luciana Genro e a OAB enviaram representações ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pedindo a punição de Fidelix por homofobia. Para a OAB, as declarações de Fidelix são consideradas crime eleitoral e contra a paz pública, puníveis com a revogação de seu registro de candidatura.

Na quarta-feira (1), o presidente do Grupo Gay da Bahia (GGB), Marcelo Cerqueira, anunciou que a entidade vai entrar na Justiça contra Fidelix (PRTB). Cerqueira afirmou que vai pedir providências contra o "discurso violento e preconceituoso, divulgado para milhões de brasileiros". Em entrevista ao jornal baiano "A Tarde", ele disse que só vai tomar qualquer atitude depois das eleições, para, segundo o presidente do GGB, não "dar ibope" a Fidelix, e que a ideia é deixá-lo no "ostracismo".


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