Se confirmada a indicação de "Hoje eu quero voltar sozinho" na corrida do Oscar, o Brasil está muito bem representado. Quem sabe até Leonardo seja um papel para ficar na história. Por ora, ele encabeça nossa lista de Top 10

A torcida do iGay neste momento vai toda para " Hoje eu quero voltar sozinho ". Se você ainda não viu, vai correndo antes que só falte você. O filme lindo e delicado de um garoto cego que descobre sua homossexualidade a partir da paixão por um colega de escola fica com a nossa primeira indicação. Os outros 9 filmes foram escolhidos especialmente pelos personagens, e pelo acerto na escolha dos atores que os interpretaram. Alguns filmes são eles próprios inesquecíveis. Em outros, o personagem é maior do que a marca que o filme deixou no cinema. A não ser pelo primeiro lugar, o restante da lista aparece em ordem cronológica.

'Hoje Eu Quero Voltar Sozinho' mostra o adolescente cego Leonardo (Guilherme Lobo) se descobrindo gay
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'Hoje Eu Quero Voltar Sozinho' mostra o adolescente cego Leonardo (Guilherme Lobo) se descobrindo gay

1.  Leonardo ( Guilherme Lobo ) é um adolescente cego que descobre sua homossexualidade e vive seu primeiro amor gay

Por que está na lista?

Mostra com doçura a descoberta da homossexualidade. Ah! E é nacional. Ah! E possivelmente concorra ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Leonardo vive às voltas com a amiga Giovana ( Tess Amorim ), enquanto busca sua identidade, como qualquer jovem de 15 anos, e uma dose maior de independência, já que a cegueira o limita em alguns sentidos. Tudo muda na vida da dupla com a chegada de Gabriel ( Fábio Audi ), um novo aluno da escola em que os dois estudam. A direção é de Daniel Ribeiro .

Você sabia? 

O filme brasileiro que vai tentar uma vaga no Oscar é o primeiro longa-metragem de Daniel Ribeiro, mas é também uma adaptação do curta-metragem que o diretor lançou em 2010 com os mesmos personagens. O filme "Eu não quero voltar sozinho" tem duração de 17 minutos e pode ser encontrado no YouTube.


Sonny, papel de Al Pacino em 'Um Dia de Cão' (1975)
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Sonny, papel de Al Pacino em 'Um Dia de Cão' (1975)

2. O Sonny de Al Pacino em "Um Dia de Cão" (1975) organiza um assalto a banco para financiar a cirurgia de mudança de sexo do namorado

Por que está na lista?

O que você faria pelo amor da sua vida? Sonny (Al Pacino) resolve assaltar um banco como último recurso para financiar a cirurgia de mudança de sexo de seu amante, Sal (John Cazale). Lançado em 1975, quando a sociedade era muito menos aberta às demandas LGBT, esse filme de Sidney Lumet teve a coragem de colocar um romance gay como foco da torcida da audiência.

Você sabia?

Na mesma época, Al Pacino fez outro filme ambientado no universo gay. “Parceiros na noite” (1980) teve cenas de sexo gay cortadas por órgãos censores nos EUA. No Brasil, o filme não chegou a ser exibido nos cinemas. No ano passado, o ator e diretor James Fraco coproduziu, codirigiu e estrelou "Interior Leather Bar", que recria as cenas censuradas de "Parceiros na Noite", que se passa dentro de um bar fetichista gay. 

Tom Hanks ganhou o Oscar pelo personagem gay Andrew Beckett
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Tom Hanks ganhou o Oscar pelo personagem gay Andrew Beckett

3. Andrew Beckett de Tom Hanks em “Filadélfia” (1993) é um advogado que enfrenta todo tipo de preconceito no começo da epidemia da Aids

Por que está na lista?

O preconceito contra os gays era tão feroz no final da década de 80 e início dos anos 90 que alguns acreditavam que a Aids era uma doença circunscrita a este universo, e mais: que tivesse se desenvolvido como consequência do "estilo de vida" gay. O filme “Filadélfia” foi um dos primeiros a levar para o cinemão esse debate. Demitido de uma firma de advocacia, Andrew Beckett é demitido de uma firma de advocacia depois que os sócios descobrem sua doença e entra com um processo contra a empresa. Andrew está sofrendo, e morrendo, mas luta contra o sistema porque entende a importância de sua atitude para descortinar um tema envolto em sombras.

Você sabia?

Tom Hanks mergulho fundo no papel. Perdeu cerca de 20 quilos para as cenas da fase terminal do personagem. O ator ganhou o Oscar pela interpretação, que marcou sua primeira incursão dramática no cinema. Foi também a primeira vez que um astro da fama e da grandeza de Hanks encarnou um gay no cinema, o que abriu caminho para todos os outros entenderem que interpretar um gay não tem consequência negativa. Se fizer como Tom Hanks, pode ganhar prêmios e mais prêmios por ele.

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Philip Seymour Hoffman foi o doce Scott J. de
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Philip Seymour Hoffman foi o doce Scott J. de "Boogie Nights"

4. Scott J. de Philip Seymour Hoffman em “Boogie Nights: prazer sem limites” (1997) é apaixonado por um astro pornô e a gente torce por uma colher de chá

Por que está na lista?

Doce, ingênuo e perdidamente apaixonado pelo ator pornô acidental vivido por Mark Wahlberg , Scott J. revelou o talento de Philip Seymour Hoffman. Scott J. é daqueles personagens que encantam pela singeleza e você se pega torcendo por ele mesmo sem se dar conta disso.

Você sabia?

Philip Seymour Hoffman interpretaria mais dois personagens gays em sua carreira. Nos filmes “Ninguém é perfeito” (1999) ele faz a drag queen Rusty, em “Capote” (2005), é o protagonista, o escritor Truman Capote, papel que lhe rendeu o Oscar de melhor ator. Ainda viveria mais dois personagens com notáveis tendências homossexuais nos filmes “O Talentoso Ripley” e “O Mestre”. 

Em 'O Casamento do Meu Melhor Amigo' (1997), Julia Roberts contava com ajuda do seu best interpretado por Rupert Everett
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Em 'O Casamento do Meu Melhor Amigo' (1997), Julia Roberts contava com ajuda do seu best interpretado por Rupert Everett

5. George Downes de Rupert Everett em “O Casamento do meu Melhor Amigo” (1997) é aquele amigo de todas as horas que te faz rir da sua própria desgraça

Por que está na lista?

Por que todo mundo quis ter um melhor amigo gay depois desse filme. George Downes é o tipo de amigo que para tudo e viaja para o outro lado do país para ajudar uma amiga em crise de insegurança. E o faz com muito humor, carinho e tiradas sensacionais.

Você sabia?

Everett foi tão marcante e convincente na pele de um homem gay que surgiram boatos sobre a sexualidade do ator. Ele só admitiria sua homossexualidade 12 anos depois em um programa de rádio da BBC inglesa.

Em ‘Melhor é Impossível’ Greg Kinnear interpreta o artista Simon que após ser espancado se vê obrigado a pedir ajuda para o rabugento vizinho vivido por Nicholson
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Em ‘Melhor é Impossível’ Greg Kinnear interpreta o artista Simon que após ser espancado se vê obrigado a pedir ajuda para o rabugento vizinho vivido por Nicholson

6. Simon Bishop de Greg Kinnear em “Melhor é Impossível” (1997) é um gay roideado de preconceito mas que acaba amolecendo o coração de seu vizinho homofóbico

Por que está na lista?

Simon Bishop é sensível de um jeito que cativa até o mais convicto dos homofóbicos. Dúvida? Se ainda não assistiu “Melhor é impossível”, assista. O turrão vivido por Jack Nicholson acaba sucumbindo à delicadeza e generosidade de Simon. A amizade improvável entre os dois quase rouba a cena do romance do personagem de Nicholson com a personagem de Helen Hunt.

Você sabia?

Greg Kinnear recebeu sua única indicação ao Oscar pelo papel. No filme, os atores Cuba Gooding Jr. (“Cruzeiro das loucas”) e Skeet Ulrich (“Pânico”) também fazem personagens gays.

Gael Garcia Bernal como Inácio de
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Gael Garcia Bernal como Inácio de "Má Educação"

7. Inácio de Gael Garcia Bernal em “Má Educação” (2004) é um garoto que enfrenta lembranças da infância e de abusos sexuais 

Por que está na lista?

O mexicano vive um ator que procura seu amor de infância, agora um diretor de cinema com bloqueio criativo. A visita detona um maremoto de lembranças como quando Inácio deixou-se molestar por um padre pedófilo para que seu amor não fosse expulso da escola.

Você sabia?

“Má Educação” é o filme de Pedro Almodóvar mais alicerçado no universo gay. Isso é notícia porque, como se sabe, Almodóvar jamais deixa de contemplar este universo em seus filmes. Mas “Má Educação”, além de algumas pinceladas biográficas, é uma homenagem ao cinema de Alfred Hitchcock. “É um thriller gay”, chegou a declarar o cineasta à época do lançamento do filme.

'O Direito de Amar' e o George Falconer de Colin Firth estão na lista de filmes favoritos de muitos gays cinéfilos
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'O Direito de Amar' e o George Falconer de Colin Firth estão na lista de filmes favoritos de muitos gays cinéfilos

8. George Falconer de Colin Firth em “Direito de Amar” (2009) é o gay casado e feliz que fica viúvo nos EUA dos anos 60 e não tem direito de viver o luto abertamente

Por que está na lista?

George Falconer é um dos maiores personagens da vida de Colin Firth. Além de ter possibilitado ao ator investir no registro dramático, algo que até então lhe era negado, o personagem estreita os dilemas gays e heterossexuais ao focar na solidão da perda de alguém que se ama. A dor de recomeçar quando se quer deixar tudo para trás pesa sobre os ombros maravilhosamente bem vestidos do personagem.

Você sabia?

O filme é dirigido pelo estilista Tom Ford que desde então faz questão de vestir o ator Colin Firth em todo e qualquer evento de gala que o ator participe. Firth e Ford, que é homossexual e admitiu que o filme contém muitos elementos biográficos, são bons amigos até hoje.

Christopher Plummer é Hal, o pai de Ewan McGregor que sai do armário na terceira idade
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Christopher Plummer é Hal, o pai de Ewan McGregor que sai do armário na terceira idade

9. Hal de Christopher Plummer em “Toda Forma de Amor” (2011) é um pai da terceira idade que decide viver finalmente sua homossexualidade antes que a doença o leve

Por que está na lista?

Sabe quando você menos espera e é maravilhosamente surpreendido? Christopher Plummer faz isso, assim como o personagem a que dá vida em “Toda forma de amor”. Um pouco relegado a filmes e papéis desinteressantes, ninguém supunha que ele fosse capaz de ainda entregar uma grande atuação. No caso de seu personagem, Hal, por resolver contar ao filho (Ewan McGregor) sobre sua homossexualidade e, já na reta final da vida, vitimado por um câncer, desejar viver plenamente essa fase libertadora. O personagem é solar e ecoa uma mensagem indispensável.

Você sabia?

Plummer, então com 82 anos, tornou-se a pessoa mais velha a ganhar um Oscar competitivo em 2012 ao faturar o prêmio de melhor ator coadjuvante pelo filme. À estatueta do Oscar, Plummer disse em tom de brincadeira ainda no palco: “Você sabia que é apenas dois anos mais velho do que eu?”

O Liberace de Michael Douglas tinha todas as cores do personagem real
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O Liberace de Michael Douglas tinha todas as cores do personagem real

10. O Liberace de Michael Douglas em “Minha Vida com Liberace” (2013) é o próprio Liberace, na biografia do pianista mais extravagante da história

Por que está na lista?

Prestes a completar 70 anos, o ator abraçou de corpo e alma o papel de Liberace, icônico pianista e showman americano que refuta em público sua homossexualidade, mas a vive escandalosamente nos bastidores. Douglas se entrega ao personagem sem qualquer vaidade em uma interpretação vencedora de muitos prêmios, entre eles o Emmy e o Globo de Ouro.

Você sabia?

O diretor Steven Soderberg levou o projeto a praticamente todos os estúdios de cinema de Hollywood, que foram unânimes na recusa de bancar a produção. Na avaliação de muitos executivos, ninguém queria ver a cinebiografia de um “depravado” e o filme foi rejeitado por ser “gay demais”. A HBO acolheu o projeto e se deu bem. O filme foi lançado no prestigiado festival de Cannes e, banhado em elogios da crítica, seguiu carreira vitoriosa em muitos outros prêmios.

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