Paul Robinson estuda a evolução do mundo da sexualidade gay desde os anos 60. As mudanças culturais que ocorreram no período provocaram o que ele define como "a erosão do armário" e a contínua indefinição de limites sexuais

Paul Robinson, historiador e professor da Universidade de Stanford
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Paul Robinson, historiador e professor da Universidade de Stanford

Paul Robinson é historiador e professor de Stanford, uma das universidades mais conceituadas do mundo. Especialista em história intelectual européia, alcançou reputação internacional por seus escritos sobre Freud e a história da música. Desde o início de sua carreira, na década de 1960, no entanto, tem se dedicado a estudar o que pensamos sobre o sexo. "É parte da nossa história intelectual tanto quanto a história do pensamento político, econômico ou social", disse ele em entrevista a Marguerite Rigoglioso, do jornal virtual Stanford News

Faz cinco décadas que ele se dedica ao estudo da evolução do mundo da sexualidade gay. As mudanças culturais que ocorreram no período provocaram o que ele define como "a erosão do armário" e a contínua indefinição de limites sexuais. Segundo ele, com o casamento igualitário legalizado em 19 dos 50 estados americanos e leis que previnem que homossexuais sejam impedidos de servir nas forças armadas, gays e lésbicas nunca tiveram tanta liberdade e direitos assegurados. 

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O professor Robinson é homossexual e acompanha de camarote a evolução contínua da cultura gay. "Nos últimos 15 anos, a homossexualidade tornou-se o assunto em tempo integral da minha escrita", afirma o criador do seminário Autobiografia Gay, que oferece aos alunos da universidade desde 2000. "Manter em segredo sua homossexualidade é uma maneira particularmente americana de lidar com o fato, mas há um sentimento crescente de que você não pode viver uma mentira", observou Robinson. 

O professor sabe muito bem do que está falando. Sua própria trajetória até se entender com sua sexualidade foi repleta de sofrimento, passando por tentativas de "conversão" a partir do casamento e da religião. Em 1967 se assumiu para amigos e família, mas demorou mais 15 anos para sair do armário para seus colegas da Universidade de Stanford em 1982.

Você vê homossexuais se casarem, estabelecerem uma família. Muitos estudantes gays assumem que serão pais. É uma situação radicalmente diferente de 20 ou 30 anos atrás, quando os homens homossexuais tinham animais de estimação, mas não filhos

Robinson diz que desde os anos 70 tem assistido a uma série de mudanças nas atitudes, crenças e práticas dentro e sobre a cultura gay. "As pessoas têm cada vez mais vindo a público, mesmo no mundo do beisebol ou futebol, por exemplo", citou ele, que também observou uma tendência ao que chama de "assimilação gay." "Você vê homossexuais se casarem, estabelecerem uma família. Muitos estudantes gays assumem que serão pais. É uma situação radicalmente diferente de 20 ou 30 anos atrás, quando os homens homossexuais tinham animais de estimação, mas não filhos."

Ele confessa que ficou "agradavelmente surpreso" com a velocidade dos fatos. "Tudo aconteceu muito de repente. Pensei que ia demorar mais tempo", disse ele. "Tomo isso como evidência de que a homofobia está em apuros, talvez fatalmente. "

A procura por seu seminário está cada vez maior. Muitos estudantes de Stanford estão se inscrevendo, sem pudor de dizer aos colegas que frequentam o curso. O grupo é bem misturado e Autobiografia Gay agora atrai pessoas transexuais. "O tema do transgênero surge frequentemente nas discussões em classe, é uma questão que está sendo levantada por pessoas cada vez mais jovens", disse Robinson.

Sexualidade moderna

Homens hetero podem ter uma experiência gay e não significa que sejam gays. Os gays estão abertos à possibilidade de se apaixonar por um hetero e o relacionamento dar certo. As pessoas não já não têm de definir se são heteros ou gays

Robinson afimrou que muitos estudantes se identificam como "não-binários", recusando-se a obedecer a classificação masculino ou feminino. Alguns estudantes se consideram "assexuados"; estão interessados ​​em relações românticas e não querem ter relações sexuais. "As velhas categorias masculino-feminino, hetero-gay não são tão estabelecidas como costumavam ser", disse ele. "Há uma sensação de que praticamente todo mundo está em jogo", observou Robinson. "Homens hetero podem ter uma experiência gay, mas não significa que sejam gays. Os gays estão abertos à possibilidade de se apaixonar por um hetero e o relacionamento dar certo. As pessoas não já não têm de definir se são hetero ou gay. "

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