Trabalho da artista transgênera reflete os momentos que enfrentou e oscila entre leveza e complexidade, humor e a transição de homem para mulher

Laerte a gente conheceu primeiro pelo jornal, pelas tirinhas que gostávamos de acompanhar: Os gatos, Deus, Homem-Catraca. Os quadrinhos são diários, você vai criando intimidade com o traço, o humor, a linha de pensamento do quadrinista. Claro que o que estava na cabeça de Laerte estava nos seus quadrinhos, que tiveram momentos mais políticos, outros mais complexos, outros mais leves.

Os Gatos também falavam da vida de Laerte, que em certo momento contou a história de sua gatinha com problemas
Reprodução
Os Gatos também falavam da vida de Laerte, que em certo momento contou a história de sua gatinha com problemas

Mas, de repente.... Laerte não era mais Laerte. Ou melhor: não era mais apenas aquele que a gente achava que conhecia. Laerte assumiu sua identidade feminina. Começou suavizando o guarda-roupa, deixou o cabelo crescer, pintou as unhas de vermelho, aos poucos foi descobrindo e desenvolvendo sua transgeneralidade.

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Falou disso nos seus quadrinhos e na vida, deu entrevistas, foi se transformando por dentro e por fora na Laerte feminina. Durante esse processo, não parou de publicar seus quadrinhos, e naturalmente toda a transformação por que passava se refletia no seu trabalho. 

O processo de transgeneridade de Larte surgiu também no trabalho da cartunista
Reprodução/Folha de S.Paulo
O processo de transgeneridade de Larte surgiu também no trabalho da cartunista



Qualquer artista com uma carreira longa como a de Laerte terá certamente diversas fases. Mas rever a obra toda de Laerte vai ser espacialmente interessante, e a chance é a próxima Ocupação Itaú, com abertura para o público marcada para dia 21 de setembro.

A vigésima exposição da série reuniu 2 mil obras de Laerte em 120 m2. Os primeiros trabalhos são desenhos que Laerte, aos 8 anos de idade, já começou a produzir. A trajetória profissional começa com trabalhos da década de 70, quando passou a publicar suas tirinhas em jornais. 

CURADORIA DO FILHO DE LAERTE

A exposição foi idealizada como um labirinto: o visitante decide por qual das cinco entradas e saídas começa e termina o percurso. A curadoria é de seu filho, o também quadrinista e artista plástico Rafael Coutinho. 

Além da exposição física e do site que sempre a acompanha, Laerte ganhou uma revista virtual, com tiras, desenhos, textos e dois ensaios de fotos exclusivos, de que tiramos as imagens que compõem a galeria no início do texto. Para 'No armário de Laerte', ela foi fotografada com suas bijuterias, sandálias, vestidos e cabelos longos em um apartamento no Centro de São Paulo. Em 'Na boleia do caminhão', Laerte interage com o Minotauro, personagem de uma de suas histórias.

Serviço:
Ocupação Laerte
Visitação: de 21 de setembro a 2 de novembro de 2014
De terça-feira a sexta-feira, das 9h às 20h
Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h
Entrada franca
Classificação indicativa: livre
Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Tel.: (11) 2168-1776/1777


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