Candidato a deputado federal pelo PT, ele defende a causa LGBT e mais: garantir o direito de garantir direitos. Atenção para o refrão: "Menos felicianos e mais direitos humanos"

A grana da campanha não é muita, mas alegria não falta. Para começar, o comitê eleitoral de Mauricio Moraes, 32, é no endereço mais fervido da cidade de São Paulo: o Baixo Augusta. Aliás, quem estiver passando por lá (rua Augusta, 550) está convidado a entrar, conversar, ouvir música e, claro, algumas propostas políticas. "Gostamos de chamar o nosso espaço de ocupação político-artística", diz ele. "Tem três pisos e um grande terraço, onde acontecem encontros e conversas. Muita gente passa por aqui e entra de curiosidade, o que acaba promovendo uma interação com o ambiente da cidade."

Para ganhar uma eleição hoje você precisa de muito voto, de muito dinheiro. O O movimento LGBT tem de abraçar a causa da reforma política porque apenas com ela veremos mais LGBT, mulheres e negros no Congresso

A linha da campanha de Maurício, candidato a deputado federal, é lutar pelos direitos humanos e especialmente as causas LGBT, como criminalização da homofobia e legalização do casamento homoerótico, e também buscar algumas modificações que garantam representação maior dos LGBT na política. "Para ganhar uma eleição hoje você precisa de muito voto, de muito dinheiro. O movimento LGBT tem de abraçar a causa da reforma política porque apenas com ela as candidaturas mais baratas terão chance e veremos mais LGBT, mulheres e negros no Congresso", diz ele, que precisa de 100.000 votos para se eleger.

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Filiado ao PT desde 2002, ele começou a fazer política em sua cidade, Araçoiaba da Serra, com 27 mil habitantes a 123 km de distância de São Paulo. "Eu atuava politicamente fazendo absolutamente tudo que fosse preciso nos bastidores. A atual prefeita da cidade, Mara Melo, foi a primeira candidata de esquerda e mulher a ganhar a eleição."

Esta é a primeira vez que se candidata a um cargo público, e sua intenção é representar a juventude e lutar pelos direitos humanos. Segundo ele, sua participação nesta eleição provocou ao mesmo tempo simpatia e incômodo dentro do PT. "Alguns setores se aproximaram de mim, mas obviamente minha candidatura causa incômodo em outros. Nem todo candidato é libertário." "Maurício é um chacoalhão no partido, com certeza será eleito", diz o ator Sérgio Mamberti, petista histórico.

Alguns setores se aproximaram de mim, mas obviamente minha candidatura causa incômodo em outros setores do partido

Outra coisa que o preocupa é o avanço da bancada fundamentalista no Congresso, o que sua eleição pretende equilibrar. E, por fim, a desilusão geral com a política, que colocou na cabeça de todos que política é "uma merda", que os políticos são gente que provoca repulsa. "Não é assim, política é importante e não precisa ser maçante, pode ser leve e lúdica". Atenção para o refrão: "Menos Felicianos e mais direitos humanos".



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