Itamaraty vai apresentar um projeto para as Nações Unidas acompanharem essa questão mundialmente. Proposta já está sendo rejeitada por países muçulmanos e africanos

Sede da ONU em Nova York, onde acontece a Assembleia Geral de 24 de setembro a 1 de outubro de 2014
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Sede da ONU em Nova York, onde acontece a Assembleia Geral de 24 de setembro a 1 de outubro de 2014

O Itamaraty vai apresentar à Organização das Nações Unidas uma proposta, que já está sendo escrita, para garantir que a observação dos direitos dos homossexuais entre na agenda fixa da ONU. O projeto propõe que a ONU acompanhe de forma permanente as violações contra os direitos dos homossexuais no mundo, e se comprometa a apresentar um informe da situação global dos homossexuais a cada dois anos. 

Países muçulmanos e africanos, liderados por Paquistão e Arábia Saudita, se opõem fortemente ao projeto, que já encontrou rejeição em tentativas anteriores. Em 2003, quando o Itamaraty apresentou proposta semelhante, foi pressionado pelos países árabes a abandonar a ideia, antes mesmo de levá-la à votação. Em discurso contra o projeto na assembleia, o governo do Paquistão disse que esse "problema de comportamento" não era "mundial" e se tratava de "problema interno" de algumas sociedades. 

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De 24 de setembro a 1 de outubro, na sede da ONU em Nova York, com participação de chefes de estado e de governo de todo o planeta, acontece a Assembleia Geral da ONU. Como é tradição desde 1947, o Brasil abre o debate geral  e o projeto poderá ser votado. Muitos obstáculos certamente estarão pelo caminho, já que o próprio Itamaraty admite que está tendo "sérias dificuldades" para negociar o texto da resolução, apesar de contar com o apoio de vários países sul-americanos e ocidentais. O jornal "O Estado de S. Paulo" teve acesso a um rascunho do projeto que o Itamaraty pretende submeter às Nações Unidas - e promete dividir os representantes nacionais. 

Não se conhece ainda a posição que o Vaticano tomará com relação ao projeto, mas é inegável que o momento é mais ameno agora, com o papado do Papa Francisco, que já manifestou sua tolerância em relação aos homossexuais na Igreja Católica. "Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?", afirmou o Papa durante a entrevista concedida aos jornalistas que o acompanhavam no voo de volta à Itália depois da visita de uma semana ao Brasil em julho do ano passado.


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