Organizadores do site que reúne os políticos com propostas concretas pró-LGBT se surpreendem com a quantidade de iniciativas para defender os interesses da população


O fotógrafo paulistano  Gui Mohallem  já conquistou galerias e colecionadores com seu trabalho artístico. Mas é agora que sente que está fazendo o movimento mais importante de sua vida: participar do Vote LGBT, site (apoiado em outras plataformas com alimentação diária como blog, tumblr e página no Facebook) que analisa e divulga as propostas dos candidatos a cargos públicos nas próximas eleições que estão privilegiando a comunidade LGBT.

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O site Vote LGBT entrou no ar na segunda-feira (8) e se provou uma grata surpresa. A participação foi tamanha que eles foram obrigados a mudar o servidor de madrugada para aguentar a quantidade de acessos que tiveram. "Em janeiro passado nós começamos um levantamento dos candidatos que mostrassem compromisso com a causa LGBT para fazer uma matéria para a revista  Geni ", conta ele, um dos colaboradores da publicação virtual independente sobre gênero e sexualidade. "De repente vimos que o material era maior do que uma matéria ou mesmo uma série de matérias, e resolvemos criar um centro de referência. O critério que a gente usa para acrescentar um candidato é que tenha proposta concreta e que tome posição pública pró-LGBT. Não adianta declarar que é pró-LGBT."

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O critério que a gente usa para acrescentar um candidato é que tenha proposta concreta e que tome posição pública pró-LGBT. Não adianta declarar que é pró-LGBT

Para Gui, que faz questão de dividir a criação do site e as decisões com o resto do grupo e mais, de reforçar que o coletivo está aberto para quem endossar a ação dos participantes e quiser fazer parte dele, as eleições costumam ser polarizadas demais. "Todo mundo está preocupado em escolher um candidato a presidente e a governador, e ninguém presta muita atenção no legislativo, que efetivamente no dia a dia toma decisões que interferem mais na nossa vida", diz ele. A boa surpresa é que a relação de candidatos levantada pelo site acabou com aquela agonia de quem achava que não tinha em quem votar. "Eu achava que não tinha candidato, e agora vejo que tenho mais de um, vou poder escolher." 

"Mais do que ser gay é ser contemporâneo"

Gui explica que a partir do momento em que o site entrou no ar, foram aparecendo novas propostas, e mais nomes foram avaliados, endossados e adicionados à lista de possibilidades. Segundo ele, a orientação sexual do candidato não importa. "Mais do que ser gay estamos atrás de pessoas de bom senso, dispostas a votar pelos direitos humanos, que não queiram o avanço da bancada conservadora no Congresso", diz. "Mais do que ser gay é ser contemporâneo."

Eu achava que não tinha candidato e agora vejo que tenho mais de um, vou poder escolher

Com seus olhos de artista, Gui aprova o trabalho dos designers que cuidaram do visual do site. "A arte do site é linda de morrer", diz ele, que explica que o coletivo Geni é formado por artistas, ilustradores, fotógrafos e jornalistas, e que novas adesões são bem-vindas. "Realmente acho que temos um longo caminho para andar, estamos nos organizando para fazer uma coisa que sabemos que é muito importante. Se alguém quiser ajudar, tem trabalho para todo mundo. Estou me sentindo ao mesmo tempo cansado e cheio de energia."



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