Com a virada nos ventos da eleição depois da morte de Eduardo Campos, uma possibilidade nova surgiu no horizonte: ter uma presidente evangélica. O que isso significa para os gays?

Beto Albuquerque já pediu ajuda do ministro da Defesa, Celso Amorim
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Beto Albuquerque já pediu ajuda do ministro da Defesa, Celso Amorim

O PSB nomeou o deputado gaúcho Beto Albuquerque , de 51 anos, para ser vice de Marina Silva nas próximas eleições para presidente do Brasil. 

Beto Albuquerque é uma sucessão natural para Eduardo Campos , de quem era braço direito. E ele também será um bom interlocutor entre a ex-deputada e o PSB, a quem está filiado desde 1986.

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Antes do acidente que matou Eduardo Campos, Albuquerque pretendia tentar uma vaga no Senado. Agora, como vice de Marina, ele vai ter de negociar com ela alguns temas mais sensíveis. Ex-Ministra do Meio Ambiente, Marina tem ao seu lado os ambientalistas, enquanto Campos estava fazendo aliança com setores do agronegócio.

Outra questão de conflito entre a candidata e seu vice serão os direitos dos gays e o aborto. Católico, Albuquerque é a favor de ambos nos termos legais. Marina, evangélica, é contra. 

Beto Albuquerque e Marina Silva assistem à missa
Beto Nociti/Futura Press
Beto Albuquerque e Marina Silva assistem à missa

UMA LUTA DE TODOS NÓS

Entendo que vivemos em um Estado laico e que temos o direito de seguir, nessa matéria, nossa própria consciência. Porém, defender a igualdade de direitos é uma luta de todos nós." (Beto Albuquerque)

O candidato mostrou seu ponto de vista em artigo que escreveu para o jornal "O Globo" em 2013. "Em 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças. (...) A Associação Brasileira de Psiquiatria manifestou-se contra a discriminação já em 1984, e em seguida o Conselho Federal de Psicologia deixou de considerar a homossexualidade um desvio. Mais que isso, em 1999 o CFP estabeleceu normas de conduta para a categoria, determinando que psicólogos não poderão oferecer “cura” para a homossexualidade — visto esta não ser um transtorno —, e evitarão “reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica" (...) É fundamental o respeito a todos os credos, como também à sua ausência. Entendo que vivemos em um Estado laico e que temos o direito de seguir, nessa matéria, nossa própria consciência. Porém, defender a igualdade de direitos é uma luta de todos nós."



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