Interpretar um homossexual é delicado: fácil perder o tom e passar do limite. Veja alguns acertos que fizeram dos papeis um ponto alto da carreira de atores famosos ou desconhecidos

Todo mundo tem um personagem favorito no cinema. Melhor: todo mundo tem uma porção de personagens favoritos no cinema. A preferência é definida pelas qualidades do personagem, pelas dificuldades superadas no filme ou ainda pela admiração que temos pelo intérprete, e que meio por osmose se transfere para o personagem.

O cinema está repleto de histórias inesquecíveis de personagens apaixonantes. Tem também aqueles casos de histórias não tão inesquecíveis assim que acontecem com personagem fascinantes.

Com essa perspectiva, o iGay elaborou uma lista de alguns dos personagens gays mais apaixonantes do cinema, entre protagonistas extraordinários, coadjuvantes irresistíveis e aqueles que desavisadamente nos conquistam com seu charme, humor e coragem.

Zoé Héran e Jeanne Disson como Mickäel e Lisa em 'Tomboy'
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Zoé Héran e Jeanne Disson como Mickäel e Lisa em 'Tomboy'

Laure/Michäel ( Zoé Héran ) em "Tomboy" (França/2011) 

O confronto entre sexualidade e comportamento é a matéria-prima de “Tomboy”. Laure se sente, se veste e se comporta como menino. Chegando a uma nova cidade, ela se apresenta como Michäel e consegue convencer os coleguinhas de escola de que é de fato um menino. No meio tempo, surge o interesse por uma menina, que também se cativa pela doçura de Michäel. Pela capacidade de simplificar questões que a sociedade torna complexas e pela ternura que exprime, a menina-menino Laure/Michäel se impõe na lista.

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George Downes ( Rupert Everett ) em “O casamento do meu melhor amigo” (EUA, 1997) 

Se houvesse hashtags para rótulos nos anos 90, o personagem defendido com gosto por Rupert Everett mereceria uma #temcomonãoamar? 

Como o amigo gay da ardilosa personagem de Julia Roberts , que planeja estragar o casamento do tal melhor amigo do título por pura insegurança, George consegue cativar a todos: amiga, noivo, noiva, família da noiva e de quebra toda a audiência. Com ótimas tiradas, senso de humor implacavelmente certeiro e coração enorme, ele fez todo mundo desejar ter um amigo gay em sua vida e protagonizou o primeiro final feliz de uma comédia romântica sem beijo na boca entre mocinho e mocinha.

A beleza estonteante de Adèle Exarchopoulos a serviço de 'Azul é a Cor mais Quente'
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A beleza estonteante de Adèle Exarchopoulos a serviço de 'Azul é a Cor mais Quente'

Adele ( Adèle Exarchopoulos ) em “Azul é a cor mais quente” (França, 2013)

A beleza hipnótica ou a intensidade com que se entregou a um sentimento que não sabia direito como digerir, o fato é que Adele – que se apaixona à primeira vista por Emma ( Léa Seydoux ) – é a navalha na carne que sentimos quando amamos alguém desesperadamente. O cinema estava devendo uma história de amor lésbico como a apresentada em “Azul é a cor mais quente”, que se comunica com a plateia por meio dessa personagem disposta a errar, amar e continuar buscando.

Vida Boheme ( Patrick Swayze ) em “Para Wong Foo, obrigada por tudo! Julie Newmar” (EUA, 1995)

O sonho é brilhar e o concurso Drag Queen of America não só representa o apogeu deste sonho como também a chance definitiva de afirmação da identidade. Mas o trajeto até Hollywood, onde será disputado o torneio, é repleto de percalços para Vida e suas companheiras. Defendida com garra e entrega por Patrick Swayze, Vida vai aos poucos cativando a todos, com uma força interior incrível. Orienta suas companheiras, resiste a provocações homofóbicas e persevera em seus objetivos.

Lady Di ( Rodrigo Santoro ) em “Carandiru” (Brasil, 2003)

A participação no filme é razoavelmente pequena, mas Rodrigo Santoro enche de graciosidade Lady Di, prisioneiro apaixonado por Sem Chance ( Gero Camilo ) e cujo sonho é casar vestido de noiva. Um personagem doce que ilumina o cenário inóspito de uma prisão.

Harvey Milk ( Sean Penn ) em “Milk – A Voz da Igualdade” (EUA, 2008)

O primeiro político assumidamente homossexual eleito nos EUA, tinha a plataforma de lutar pelos direitos de sua minoria. Essa qualificação bastaria para justificar o nome na lista, mas a interpretação magnífica de Sean Penn (Oscar de melhor ator pelo papel) fez o Milk do filme ainda mais agudo em suas belezas.

Sean Penn dá as nuances necessárias para Milk, um homem à frente de seu tempo, disposto a ir além da militância, mas com conflitos emocionais complexos e pendências em suas relações pessoais. Se fosse perfeito, talvez não fosse tão apaixonante.

Bree ( Felicity Huffman ) em “Transamérica” (EUA, 2004)

E se às vésperas de completar sua mudança de sexo, você descobrisse que tem um filho? E que ele está preso? Bree decide revisitar o passado que aflige sua possibilidade de futuro em um filme que transborda humanidade e deixa transparecer uma personagem vigorosa, mas sensível; forte, mas carente. Preparada, mas ainda em construção. Contraditória como qualquer mulher.

Rusty ( Philip Seymour Hoffman ) em “Ninguém é Perfeito” (EUA, 1999)

Um policial rabugento e homofóbico, vivido por Robert De Niro , sofre um derrame e quer o destino que acabe sob os cuidados de Rusty, a drag queen de quem é vizinho. Rusty é pura delicadeza, aos poucos vai dobrando o tipo vivido por De Niro e uma bela amizade acaba surgindo. Esse talvez seja o personagem desta lista que melhor enseja a compreensão da diferença e a importância de aprender a respeitar o outro como se deseja ser respeitado.

Reinaldo Arenas ( Javier Bardem ) em “Antes do Anoitecer” (EUA/ESP 2000)

Poesia. O prestigiado poeta cubano que politizou sua homossexualidade é vivido em todo o seu esplendor pelo espanhol Javier Bardem. Impossível resistir à visão de mundo livre e desimpedida desse artista.

Patrick ‘Kitten’ Braden ( Cillian Murphy ) em "Café da manhã em Plutão" (IRL, 2005)

Cidades pequenas tendem a ser difíceis para travestis, principalmente se você é o filho de um padre que caiu em desgraça. É por isso que Kitten decide ir para Londres. Em parte para tentar achar sua mãe verdadeira e em parte para se reinventar em uma cidade que não conhece a sua história.

Jessica Stein ( Jennifer Westfeldt ) em “Beijando Jessica Stein” (EUA, 2001)

Ela está estressada e há algum tempo sem namorar. Um belo dia decide responder a um anúncio de jornal que diz: “mulher procura mulher”. Jessica hesita, se entrega, hesita, se entrega, hesita e se entrega a uma relação cheia de entrosamento e química com outra mulher. Uma comédia romântica diferente e que brinca com nossa necessidade de rotular tudo e todos.

Hal ( Christopher Plummer ) em “Toda forma de amor”

Ao descobrir que tem câncer já na finitude da vida, Hal decide contar a seu filho que é homossexual. Que sempre foi e que sempre viveu dentro do armário até a morte da mulher, e que agora, nos derradeiros momentos da vida, quer experimentar a plenitude. A coragem de Hal, asimpatia do ator veterano e a maneira amorosa com que enxerga a questão e lida com (Ganhador do Oscar de melhor ator, Plummer foi o ator mais velho a ganhar um Oscar competitivo)

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