Líderes religiosos do Conselho de Igrejas da Libéria, país na costa da África, afirmam que surto que já matou 1.000 pessoas é punição divina a "atos imorais" e que o remédio é rezar

O ebola é uma doença viral, cujos sintomas inciais podem incluir febre repentina, forte fraqueza, dores musculares e de garganta, segundo a OMS
Sylvain Cherkaoui/Cosmos/MSF
O ebola é uma doença viral, cujos sintomas inciais podem incluir febre repentina, forte fraqueza, dores musculares e de garganta, segundo a OMS

O Conselho de Igrejas da Libéria reuniu seus líderes religiosos para procurar uma resposta espiritual para o surto de ebola que já matou mais de mil pessoas na África Ocidental. A conclusão a que eles chegaram foi essa: Deus teria criado o vírus mortal para "atos imorais" que ocorrem lá, como a homossexualidade.

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Essa notícia aparece ao mesmo tempo em que a presidente liberiana, Ellen Johnson Sirleaf, anunciou estado de emergência no país por 90 dias e advertiu que "a ignorância e a pobreza, bem como as práticas religiosas e culturais arraigadas" continuam a agravar a propagação da doença. Durante o período, tropas serão enviadas para as comunidades mais seriamente atingidas e a presidente alegou que as medidas são necessárias para garantir "a própria sobrevivência do nosso Estado e para a proteção das vidas de nosso povo".

Enquanto isso, os líderes da igreja concordaram unanimemente que "Deus está zangado com a Libéria" e concluiu que o ebola foi enviado "como uma praga" ao país. E divulgaram o seguinte comunicado: "Liberianos têm de orar e buscar o perdão de Deus pelos atos corrompidos e imorais (como homossexualidade, etc) que continuam a penetrar em nossa sociedade".

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