Gerente do restaurante diz estar apurando os fatos e que as câmeras de segurança mostram que o funcionário Mady, há 8 meses na casa, errou

Reprodução do post de Gabriel Cruz no Facebook
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Reprodução do post de Gabriel Cruz no Facebook

O relato do acontecido apareceu no domingo (3) no Facebook do namorado da vítima, Gabriel Cruz . Começava assim: "Esse post enorme não é mimimi, nem uma "xingada no twitter". É um protesto sobre como eu quero mudar o mundo.
É muito assustador sabermos que vivemos no mundo em que não é tudo bem ser gay, em que as pessoas são agredidas e sangue rola por que alguém ama diferente."

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O post, enorme como ele alertou, conta em detalhes como ele e seu namorado (cujo nome não foi mencionado) foram jantar na unidade da rua Augusta do restaurante japonês Sukiya (no número  974) e um selinho entre o casal acabou na delegacia.

"...meu namorado foi ao banheiro e me deu um selinho de "até logo". Assim que me vi sozinho na mesa, dois homens me abordaram, um de cada lado, me acuando."

Um dos dois era o segurança da casa, o outro o garçom Mady , que trabalha no restaurante há 8 meses, e é, segundo o gerente do restaurante, Lincoln Onuma , um funcionário que costuma receber elogios dos clientes pelo tratamento que oferece.

CENA DE SANGUE

O caso é que Mady estava disposto a desacatar qualquer norma legal ou profissional na noite de sábado. Gabriel não aceitou se sentir pressionado pela ameaça ou pelos argumentos de que aquele era um "lugar família" e, segundo seu depoimento depois de consultar a família que supostamente estaria incomodada com o casal, beijou de novo o namorado. "Foi o suficiente para o garçom usar de desproporcional força física para tentar nos tirar dali. Com um tranco, me separei do meu namorado, e em meio àquela confusão surreal que acabara de se instaurar, vi o garçom desferindo socos na cara do meu namorado. Socos... Sangue pingava do nariz do meu namorado, sangue no rosto, nas mãos, nas roupas, no chão."

Gabriel chamou a polícia e foram os três para a delegacia. O namorado como a vítima, o garçom como o agressor e Gabriel como testemunha. "Já na delegacia, durante as cinco horas em que esperamos e esperamos, os policiais e escrivão tentavam insistentemente nos dissuadir da ideia de requerer um inquérito. Apesar do menosprezo com a dor alheia (não, seu policial, não é uma questão de hombridade ferida. É um dever cívico enquanto homem gay agredido levar essa história até as últimas consequências), insistimos. Só sairíamos de lá com um B.O. em mãos e um inquérito instaurado", escreveu ele no Facebook. O garçom alegou legítima defesa. 

Lincoln disse que, em nove anos de existência da cadeia de restaurantes, foi a primeira ocorrência do tipo. "A posição da empresa é a seguinte: não temos nada contra homossexuais, temos funcionários homossexuais e sabemos que a unidade da rua Augusta, que fica aberta 24 horas, tem grande frequencia de homossexuais. Queremos que eles continuem sendo nossos clientes. Este foi um caso isolado."

Ele não soube dizer o que vai acontecer com o garçom-agressor, que inclusive não foi trabalhar nesta segunda (4). "Como foi a primeira vez que aconteceu algo neste sentido, não sei dizer que tipo de providência será tomada. Temos as filmagens das câmeras internas e o funcionário errou e nos surpreendeu a todos."



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