Yvette Cantu Schneider defendeu por 15 anos a conversão da homossexualidade e agora se alia à GLAAD, entidade que apoia os direitos dos LGBT

A ex-ativista americana Yvette Cantu Schneider , que foi durante muitos anos uma das maiores defensoras do movimento dos chamados ex-gay, admitiu que o “tratamento” para reversão da homossexualidade é ineficaz e deveria ser proibido.

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Em entrevista à Jeremy Hooper , da GLAAD (Gay & Lesbian Alliance Against Defamation), uma das maiores organizações que luta pela comunidade LGBT nos EUA, declarou: "Antes de me tornar cristã, eu era aberta e orgulhosa de minha sexualidade". Porém, conta ela, tudo mudou quando passou a frequentar a igreja. “Uma vez que me tornei cristã e foi dito que minha sexualidade era desviante e pecadora, me senti envergonhada."

Yvette Cantu Schneider era militante ex-gay e hoje defende a proibição dos tratamentos
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Yvette Cantu Schneider era militante ex-gay e hoje defende a proibição dos tratamentos

A partir daí, ela comprou a ideia de que poderia “superar” sua atração pelo mesmo sexo através de orações, e por mais de uma década trabalhou junto a diversos militantes ex-gay e antigay, incluindo a hoje extinta organização “Exudus International”, que pregava programas de “cura gay”.

Schneider foi também uma das maiores defensoras da Preposição 8, que conseguiu derrubar o casamento igualitário na Califórnia por um tempo. "Perto do fim, especialmente com a Proposição 8, senti que fui afastada da minha individualidade. Se não tivesse sido minha presença em um evento, teria sido outra pessoa. Quando não conseguia ir a uma palestra, outra pessoa seria encontrada para ser a voz 'ex-gay'. Não havia nada que eu pudesse acrescentar ou com que contribuir que fosse diferente de qualquer outra pessoa," explicou.

NÃO AOS HOMENS EX-GAYS

A militante admitiu que, mesmo enquanto fazia parte do movimento, se recusou a se relacionar com homens que se consideravam ex-gays. “Muitas pessoas acreditavam que a mudança fosse verdadeira, que a atração pelo mesmo sexo desapareceria ou se tornaria rara, e que a atração pelo sexo oposto tomaria o lugar. Isso nunca aconteceu", explicou.

"Um dos meus colegas tentaram arranjar um encontro meu com um homem, mas eu disse: 'Ex-gay de jeito nenhum. Não tenho interesse em sair com um ex-gay. Não confio que eles sejam ex-gays de verdade’”, relata.

Schneider agora se dedica a banir a prática das terapias de mudança de orientação sexual, conhecidas também como "terapia reparativa" e “cura gay”. Leis que proíbem que tais práticas sejam aplicadas a menores de idade por terapeutas licenciados foram adotadas na Califórnia e Nova Jersey, o que ela espera que aconteça em todo o país.

“Estes tipos de proibições precisam progredir em todo o país o mais rápido possível. A terapia pode levar uma criança que está questionando sua sexualidade, ou que exibe comportamentos que não estão alinhados com o que a nossa sociedade considera normativo para seu sexo, como algo errado, assim como para seus pais.”

Schneider escreveu o livro "Never Not Broken", e decidiu doar 10% das vendas à GLAAD.

No Brasil, um grupo criou a página ex-gay , em apoio à "psícologa cristã" Marisa Lobo, que aplicava chamadas terapias de "cura gay" quando teve seu registro cassado.


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