Em medida inédita, presidente dos EUA confrontou entidades religiosas e avançou em relação aos direitos dos LGBT

AP

O presidente Barack Obama  ordenou na segunda-feira (21) a proteção do emprego de funcionários gays e transgêneros que trabalham para o governo do país ou empresas com contratos federais.

"Contratos federais dos Estados Unidos não deve subsidiar a discriminação contra o povo americano", declarou Obama em uma cerimônia de assinatura na Casa Branca, sede do governo do país.

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Obama afirmou ser inaceitável que ser gay seja uma ofensa em muitos lugares nos Estados Unidos e pediu ao Congresso que estenda a medida a todos os empregadores.

O presidente havia resistido à pressão de dar a ordem anti-discriminação na esperança de que o Congresso tomasse decisões mais arrebatadoras. O Senado aprovou uma lei no ano passado com algum apoio republicano, mas ela não foi colocada em prática e por isso Obama afirmou: "É hora de resolver esta injustiça para todos os americanos."

Mia Macy acompanhou a assinatura da ordem
Reprodução/Twitter
Mia Macy acompanhou a assinatura da ordem

A ativista transexual LGBT  Mia Macy assistiu ao anúncio de Obama em lágrimas. Nascida biologicamente homem, Macy foi militar, ex-detetive especialista em balística da polícia de Phoenix e foi rejeitada após mudar de nome e começar a se identificar como uma mulher.

Ela entrou com uma queixa bem sucedida na Equal Employment Opportunity Commission (Comissão de Igualdade de Oportunidades no Emprego, em uma tradução livre) onde se estabeleceu um processo de discriminação contra o governo no ano passado.

"Ter um presidente que nos reconhece pela primeira vez na história como cidadãos em vez de cidadãos de segunda classe é apenas monumental", disse Macy em entrevista por telefone. Ela disse que Obama agradeceu pessoalmente a ela por seu papel pioneiro em uma reunião privada antes da cerimônia.

Na ordem, Obama manteve a permissão de demissão e contratação de grupos religiosos com contratos federais com base na identidade religiosa, mas não concedeu qualquer exceção a considerar a orientação sexual ou identidade de gênero. Igrejas também são capazes de contratar ministros como entenderem sob proteção da Primeira Emenda da liberdade religiosa.

Opondo-se a ordem, a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA afirmou que Obama tem um "entendimento profundamente falho da sexualidade humana", e que os fiéis católicos não vão cumprir a ordem. O grupo disse ainda que a ordem executiva é uma anomalia, e deveria incluir a cláusula de isenção proposta no Senado que permite que entidades religiosas dispensem funcionários gays e transgêneros.

"No lugar de proibir a discriminação, esta ordem implementa discriminação", disse o grupo em um comunicado.

Obama afirmou que 18 estados e mais de 200 governos locais já proíbem a discriminação no emprego com base na orientação sexual, bem como a maioria das empresas do ranking das 500 principais organizações da revista “Fortune”, e observou que mais estados permitem o casamento do mesmo sexo do que proíbem a discriminação gay na contratação.

"Não é apenas sobre fazer a coisa certa, é também sobre atrair e reter os melhores talentos", disse Obama.

A mudança para a contratação federal vai afetar cerca de 24.000 empresas com 28 milhões de trabalhadores, ou um quinto da força de trabalho dos EUA. Muitas grandes empreiteiras federais já têm políticas de emprego proibindo a discriminação no local de trabalho anti-gay.

O Instituto Williams da UCLA Law School estima que a ordem executiva ampliaria a proteção a cerca de 14 milhões de trabalhadores .

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