Paulo Avelar, de São Paulo, ficou quatro dias em observação, levou 32 pontos na cabeça, teve partes da região do supercílio, um braço e dois dedos quebrados em um ataque homofóbico

O estudante de engenharia Paulo Avelar , 26, foi empurrado para frente de uma van quando ia para uma balada na região da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, na última terça-feira (8). Acompanhado do namorado Gean Contarini , de 24 anos, e quatro amigos, o grupo foi atacado por uma mulher e quatro homens.

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Hospitalizado imediatamente após o atropelamento, Paulo ficou internado na UTI do Hospital 9 de Julho por quatro dias e foi transferido para o quarto neste domingo (13). O estudante levou 32 pontos na cabeça, teve pedaços da região do supercílio, um braço e dois dedos quebrados, além múltiplas escoriações no peito e nas costas.

Juntos há seis anos, Paulo e Gean pouco saem de casa. “A gente vai para balada uma vez por mês no máximo, e quando saímos acontece uma coisa dessas”, lamenta Gean em entrevista ao iG .

Bancário, Gean conta que foi a mulher do grupo que estimulou o ataque. “Ela falou ‘Olha ali, todos viadinhos’”. A partir dai dois outros homens do grupo partiram para cima dos amigos até que um deles empurrou Paulo para o meio da rua, na direção de uma van em movimento. “Ele viu o carro vindo e empurrou, se eles quisessem só bater teriam jogado a gente para a calçada, foi tentativa de homicídio mesmo”, aponta Gean.

O SEGUNDO ATAQUE

Logo após o ataque, os cinco atacantes correram. O motorista da van desceu para ver o que tinha acontecido. “Um amigo meu pediu ajuda e o motorista falou ‘vocês que estava brincando na rua’ e logo em seguida pegou uma vassoura e começou a bater nesse amigo”, relata o bancário.

A Policia Militar também não apareceu, e Paulo foi levado para o hospital pelo SAMU, que chegou cerca de 15 minutos após do chamado ter sido feito.

A gente não é respeitado, as pessoas dizem que respeitam mas é mentira. A sensação é de revolta, porque isso já deveria ter parado a muito tempo, são tantos casos, as pessoas deveriam se sensibilizar mais (Gean Contarini)

Essa não foi a primeira vez que o casal passou por uma situação de homofobia. “Já perdi as contas das agressões verbais, na rua, no metrô, mas um ataque físico foi o primeiro. A gente não é respeitado, as pessoas dizem que respeitam, mas é mentira. A sensação é de revolta, porque isso já deveria ter parado há muito tempo, são tantos casos, as pessoas deveriam se sensibilizar mais”, afirma Gean.

O bancário conta agora com a politica para investigar o caso. “Eles simplesmente fugiram e não tinham nenhuma característica de grupo de ódio, como skinheads ou nada, eram pessoas comuns. Agora é preciso que a policia faça seu trabalho e descubra quem fez isso. Já o motorista tem de responder por não prestar socorro e pela agressão ao meu amigo”.

O casal, que teve o contrato de união estável assinado há quatro anos, aguarda o retorno a rotina recheada de idas ao cinema e ao teatro, programas preferidos, assim como o carinho da família. “Nossos pais sempre incentivaram a gente a se assumir, não se esconder, e estão muito chocados com tudo”, finaliza.

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