“Aqui não é lugar para vocês se abraçarem, se beijarem", criticou funcionário da loja, em São Paulo. Procurado pelo iGay, hipermercado informou que funcionário foi afastado

Tão comum na vida de qualquer casal, um selinho de um jovem casal gay incomodou um funcionário do hipermercado Extra do Shopping Aricanduva, localizado na Zona Leste de São Paulo. O profissional, que não foi identificado,  repreendeu os rapazes, que estavam com um grupo grande de amigos, na noite da última terça-feira (08). A situação foi registrada  pelo esteticista veterinário  Tiago Tavares Freire , 27, amigo dos discriminados.  

Gerente do Extra que reprimiu casal gay que trocou um selinho
Reprodução
Gerente do Extra que reprimiu casal gay que trocou um selinho

No vídeo, o funcionário do Extra critica as demostrações de afeto do casal. "Aqui não é lugar para vocês se abraçarem, se beijarem", declara o funcionário. "Aqui não é lugar apropriado para isso", continua o profissional, em outro momento da gravação.

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Para protestar, Tiago postou o vídeo em seu perfil no Facebook.  Em entrevista ao iGay, o esteticista deu mais detalhes sobre ocorrido, explicando que ele os amigos, 15 pessoas no total, foram ao hipermercado depois do jogo da Seleção Brasileira contra a Alemanha, pela Copa do Mundo. 

"Nos dividimos, uma parte de nós ficou aguardando depois dos caixas, próximo do [setor] de atendimento de cartões. Não estávamos atrapalhando ninguém, só esperando e comentando o jogo,  quando o Fernando e o Luciano trocaram um selinho",  relata Tiago, se referindo ao casal.  

O esteticista e os amigos pretendem registrar o acontecido num boletim de ocorrência. “Mesmo não tendo sido direcionado para mim, me senti um lixo. Chegamos a perguntar se haveria problema caso o casal fosse hétero, o gerente disse que não. Ou seja, foi homofobia, ele fala isso no vídeo sem nenhum pudor”, aponta Tiago.

Grupo de amigos que estava com o casal no Extra
Arquivo pessoal
Grupo de amigos que estava com o casal no Extra

Tiago ainda acusa o funcionário de ameacá-los. "No vídeo, dá pra ver ele dizer que depois de bater o cartão [de ponto] dele, ia dar opinião sobre a gente do lado de fora. Algo que eu entendo como uma ameaça".  

Procurada pela reportagem , a assessoria de imprensa do hipermercados Extra informou que o funcionário da loja de Aricanduva foi afastado, mas preferiu não identificá-lo. 

“Qualquer ato discriminatório de funcionário em loja, se realizado, não condiz com a opinião da rede e que estaria em total desacordo com o Código de Conduta da Companhia, documento que orienta o padrão de comportamento exigido de seus colaboradores", declarou o Extra, em nota ao iGay. 

De acordo com a rede de supermercados, o funcionário está sujeito a punições, como uma advertência.  Ele também deve passar por um treinamento de reciclagem e sensibilização do tema.

Como vive em São Paulo, o casal pode entrar com um processo administrativo, previsto na legislação do estado.  A lei 10.948/01, que pune atos de homofobia, prevê inclusive o fechamento dos estabelecimentos onde a discriminação ocorre.

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Mais informações:
Núcleo Especializado de Combate a Discriminação e Preconceito da Defensoria do Estado de São Paulo: www.defensoria.sp.gov.br/dpesp/

Coordenadoria de Politicas Públicas para Diversidade Sexual da Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo. www.justica.sp.gov.br

Centro de Combate à Homofobia da Prefeitura de São Paulo: cch@prefeitura.sp.gov.br

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