Perguntar o nome batismo ou quando uma transgênero 'virou mulher' são algumas das questões constrangedoras e invasivas que não devem ser feitas a uma transexual

AP

Além de todos os desafios que têm de enfrentar ao longo da vida, as transexuais ainda precisam ouvir perguntas que parecem inofensivas para quem faz, mas que na verdade são invasivas, agressivas e até grosseiras. Questões como: ‘Você fez a cirurgia de mudança de sexo?’.

SIGA O IGAY NO FACEBOOK 

Um pergunta como a acima invade a intimidade das transexuais, expondo-as a uma discussão de um assunto sobre o qual elas, muitas vezes, ainda não têm segurança para falar abertamente, em público.

Além dessa, três transexuais apontam outras questões desconfortáveis e invasivas que não se se devem fazer para elas, evitando assim o constrangimento e o desconforto.  A entrevistadas são a jornalista Janet Mock, 30, a professora  Joy Ladin , 53, e a modelo Arisce Wanzer , 27.

"Como educadora, acredito que é muito importante as pessoas fazerem perguntas, mas ao mesmo tempo, eu sou uma pessoa e não um outdoor exposto", pondera Joy, que é professora da Universidade de Yeshiva, em Nova York, e autora do livro "Through the Door of Life: A Jewish Journey between Genders", ainda não lançado no Brasil.

Ativista LGBT e ex-editora da revista People, Janet também conta sua experiência como transexual num livro, a autobiografia "Redefining Realness: My Path to Womanhood, Identity, Love & So Much More", que também não tem ainda uma edição brasileira.

"É curioso perceber como não merecemos o mesmo respeito dos outros humanos. As pessoas vão direto à nossa jugular. Isso acontece por causa da maneira como a mídia tem abordado as histórias das pessoas transexuais desde início, onde somos vistas como um corpo de uma espécie que deve ser dissecada ”, crítica Janet, oferecendo uma hipótese para a razão das perguntas indiscretas feitas as transexuais.

A mais jovem do trio, Arisce já acumula muitas perguntas desagradáveis ao londo dos seus 27 anos de vida. Ela, Joy e Janet falam deste aspecto de suas vidas a seguir. 

"Você fez a cirurgia de mudança de sexo?"
Joy : Fazer perguntas íntimas sobre o corpo de alguém é incomodo, sendo você trans ou não. É como perguntar para alguém numa festa: ‘Você tem um ou dois testículos?’”. Não pergunte se uma trans fez cirurgia. É importante que as pessoas saibam que as transexuais, muitas vezes, não estão se sentindo seguras. Ficam inseguras porque estão vivendo a fase inicial da transição, que é um momento de muitas perguntas, de se sentir vulnerável. Você nunca sabe qual será a reação das pessoas ao conversar com uma trans. Quando me sinto segura num encontro social, me sinto feliz em falar sobre identidade de gênero.

A professora Joy Ladin escreveu um livro sobre sua vida como transexual
Divulgação
A professora Joy Ladin escreveu um livro sobre sua vida como transexual

"Você impressiona como mulher"
Joy: Eu já tive diferentes reações ao ouvir frases assim. No início da transição, era algo que me deixava feliz. Encarava isso como um elogio. Hoje, eu sinto que estou sendo eu mesma e não querendo parecer alguma coisa. Mas ficaria realmente incomodada se a frase dita fosse: 'Você realmente parece uma mulher'.

"Que nome você tinha quando era homem?"
Mock: Eu costumo desafiar as pessoas, fazendo outras perguntas: ‘Qual a importância disso para a nossa conversa’ e ‘Por que é importante você saber disso? Geralmente, elas ficam sem resposta e percebem o quão insensíveis estão sendo. Muitos dizem que são curiosos e que esta pergunta não tem nada demais. A curiosidade pode ser mesmo uma forma de aprender, mas eu não vejo como isto pode ser relevante para eles. 

"Quando você virou mulher?"
Mock: Eu respondo que foi um processo que foi acontecendo ao longo da minha vida. Não houve um momento único em que isso aconteceu, mas as pessoas ficam querendo uma data específica. Mas é uma jornada. É um processo contínuo de autorrevelação e descoberta. Quando explico isso, eles vêm com outra pergunta: ‘Quando você começou a tomar hormônios?’ Eu digo que esse é um assunto que só diz respeito a mim e a meu médico, ou então que ela ler o meu livro para ver a resposta. Na minha vida pessoal, eu tento não trazer para minha vida pessoas que perguntem isso ou sobre como eu faço para me sustentar. É um conforto que tenho por ter, supostamente, a aparência que uma mulher deveria ter. Por outro lado, profissionalmente, tento ensinar as pessoas.

Janet Mock:
Getty Images
Janet Mock: "Somos vistas como um corpo de uma espécie que deve ser dissecada"

"É difícil para você arrumar um namorado?"
Wanzer: Costumo responder: ‘Por que, você quer dormir comigo?’. Eu costumo dizer: ‘Por que, você está tentando dormir comigo?’. Eu acho que ela tem pena da gente, acham que não vamos conseguir namorar ninguém, que somos muito diferentes das outras pessoas. Mas nós não somos alienígenas. Temos sonhos comuns, as mesmas aspirações das outras pessoas. Eu sou uma pessoa honesta, Não escondo nada de ninguém, mas nem todo mundo vai se interessar.

O que sua família pensa sobre você?
Wanzer: Na verdade, elas estão perguntando para elas mesmas se aceitariam alguém assim. Mas eu tenho a família mais legal do mundo, ninguém tem problemas com isso. Minha família me deu muito apoio. Ninguém nunca ficou envergonhado por eu ser quem sou. Eu mesmo me recuso a ter ver vergonha por isso.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.