ONU fez apelo para que jogadores se assumam durante a Copa do Mundo. Mas o futebol se mostra muito menos tolerante à diversidade sexual do que outros esportes

Nesta semana, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU Navi Pillay fez um apelo para que jogadores gays se assumam durante a realização da Copa do Mundo no Brasil, num apelo pela diminuição da homofobia e pela promoção da aceitação da diversidade sexual no esporte. 

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São poucas as chances do apelo de Pillay ser atendido. E o motivo não e a inexistência de homossexuais no futebol, mas sim um ambiente ainda muito refratário a jogadores assumidos. A Copa, especificamente, é muito menos aberta à diversidade sexual do que as Olimpíadas, o outro grande evento do universo esportivo. 

Nas últimas edições dos Jogos Olímpicos, em Londres (2012), houve um recorde de participantes LGBT. Foram 23 no total, segundo um levantamento do site OutSport. Em Pequim (2008),  foram 10 e em Atenas (2004), 11.  A Copa de 2014, por sua vez, não traz nenhum participante homossexua assumido.

Na verdade, em atividade, há apenas um único jogador de futebol assumidamente gay: o americano Robbie Rogers.   Ele chegou a se aposentar após sair do armário em março de 2013. mas acabou voltando aos campos depois do apoio público que recebeu dos fãs e das comunidades esportiva e LGBT.  

Em outros esportes importantes, há outros atletas que desbravaram esse caminho da liberdade.  No basquete,  o americano Jason Collins  foi pioneiro ao se assumir gay ainda em atividade, em abril do último ano. O ineditismo de sua atitude se deu por ele ser o primeiro atleta assumido entre os membros das principais ligas esportivas profissionais de todo os EUA.

Quem também se prepara para fazer história é o jogador de futebol americano Michael Sam , que ao que tudo indica será o primeiro jogador gay da NFL, a principal liga do esporte no mundo.  

Ídolo na Inglaterra e medalhista olímpico, o mergulhador Tom Daley recebeu apoio total do público inglês ao se assumir
Getty Images
Ídolo na Inglaterra e medalhista olímpico, o mergulhador Tom Daley recebeu apoio total do público inglês ao se assumir

Sam emocionou a todos, primeiro com um vídeo comunicando sua orientação sexual no prestigiado jornal New Yok Times, em fevereiro deste ano. Depois, ele deixou todos com os olhos cheios de lágrimas ao beijar o namorado  quando foi pré-convocado para NFL.

Outro atleta que não pode deixar de ser citado é o mergulhador britânico  mergulhador Tom Daley , atleta do salto ornamental, que anunciou ser gay em um vídeo postado em seu perfil no Twitter, em dezembro de 2013. 

“Desde a primavera deste ano, minha vida mudou drasticamente quando conheci alguém e isso me deixou muito feliz, seguro e tudo ficou melhor. É esse alguém é um um cara”, afirmou. Meses depois Tom assumiu que a relação era com o roteirista Dustin Lance Black. 

Muitos antes destes jovens atletas se assumirem, alguma figuras foram  fundamentais para abrir o caminho para atletas homossexuais falarem abertamente de sua orientação sexual.  

A tênista tcheca naturalizada americana  Martina Navratilova , por exemplo, falou abertamente de sua homossexualiade em sua biografia "Being Myself" (Sendo Eu Mesma), lançada em 1985.

Já a também tenista  Billie Jean King  se tornou a primeira atleta profissional assumida ao se ver envolvida em um processo judicial, no qual se tornou público que ela era lésbica, em 1981. Atualmente ambas são grandes defensoras dos direitos LGBT, especialmente no esporte. 



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