No elenco de “A Curra”, em cartaz em São Paulo, Melissa Paixão divide o palco com os ex-integrantes da “Casa dos Artistas” Marco Mastronelli e Taiguara Nazareth

Ela tem apenas 22 anos, mas já está conquistando seu espaço sob os holofotes. Modelo e atriz, a transexual Melissa Paixão acaba de fotografar em Paris para o catálogo da nova coleção de Walério Araújo , estilista de quem ela é a mais nova queridinha.

No palco, ela encara o desafio de viver uma travesti soropositiva dentro de uma cadeia na peça “A Curra”, em cartaz no teatro Paiol Cultural, em São Paulo. O espetáculo tem no elenco os ex-integrantes do extinto reality show “Casa dos Artistas” (SBT) Marco Mastronelli e Taiguara Nazareth , entre outros atores.

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Nascida em Minas Gerais, ela trocou sua terra natal por um grande centro por conta da carreira nas passarelas. “Fiz alguns desfiles pequenos em Belo Horizonte, mas acabei mudando para São Paulo, que tem um mercado mais forte. Comecei também a trabalhar em baladas. Fiquei conhecida pela montação, porque gosto de looks bem exóticos, isso me aproximou do Walério”, conta Melissa.

Nunca fui muito bem remunerada com moda no Brasil. Marcas bacanas de beleza e de moda até me chamavam, mas desistiam quando descobriam que sou transexual (Melissa Paixão)

O figurino exótico fez a fama de Melissa como host nas casas noturnas paulistanas, a ponto dela ser a favorita de famosos como a apresentadora Daniela Albuquerque e a funkeira Valesca Popozuda . Já no mercado de moda, ela enfrentou preconceitos, apesar do meio ter fama de ser mais aberto.

“Nunca fui muito bem remunerada com moda no Brasil. Marcas bacanas de beleza e de moda até me chamavam, mas desistiam quando descobriam que sou transexual”, lamenta Melissa.

Esses percalços não impediram, no entanto, que Melissa prosseguisse na carreira de modelo. O trabalho como atriz é mais recente e seu deu depois que ela foi estudar teatro na escola Macunaíma, uma das mais conhecidas da capital paulista.

O elenco de
André Giorgi
O elenco de "A Curra": Taiguara Nazareth, Marco Mastronelli e Melissa Paixão


Foi na Macunaíma que a mineira recebeu o convite para interpretar a personagem da peça, chamada Vivita. “Aceitei o convite sem pensar, mesmo sendo um papel difícil. Como a história é pesada, mostrando uma soropositiva que não recebe os remédios para se tratar, eles precisavam de alguém mais bonita para dar uma suavizada”, explica Melissa, que só durante a preparação para a peça se deu conta das particularidades do universo das travestis.

A grande diferença está no psicológico, a trans é uma mulher. Já a travesti é um homem que gosta de se ver como uma mulher (Melissa)

“Abordei algumas travestis que se prostituem, peguei o jeito de falar, vi filmes. Foi bem difícil, porque não tem nada de delicado nelas”, reconhece Melissa, relatando o laboratório que fez para a personagem. “A grande diferença está no psicológico, a trans é uma mulher. Já a travesti é um homem que gosta de se ver como uma mulher”, define a atriz e modelo.

Melissa admite ainda que teve dificuldade com as cenas de sexo com o personagem de Taiguara. “São bem ousadas. É difícil porque sou muito tímida, mas as cenas rolam bem.”

FAÍSCA E POETA

Parceiro de cena de Melissa, Taiguara se envolveu bastante na produção do espetáculo, no qual interpreta o violento detento Faísca. “Foi tudo bem rápido, até combinei com o Sebah Vieira , que é o diretor da peça, para fazermos alguns ensaios extras”, revela o ator, que teve o seu primeiro papel destaque na TV na minissérie “Presença de Anita” (Globo), exibida em 2001.

Taiguara vê seu trabalho em “A Curra” como uma oportunidade de quebrar vários estereótipos. “Apesar de muito duro e violento, o Faísca tem outro lado que é doce, de respeito pela parceira Vivita”, argumenta o ator, que se posiciona como um apoiador da causa LGBT. “Sempre que posso, participo da Parada Gay. Milito bastante nas questões raciais, mas acabo sempre conversando com outras minorias também.”

Participante da primeira edição da “Casa dos Artistas”, assim como Taiguara, Marco Mastronelli ficou famoso na comunidade gay ao posar nu para a revista G Magazine, em 2003. “Foi uma proposta de trabalho que eu topei na época, mas não sabia direito o que era. Não faria de novo, apesar de ter sido um trabalho de bom gosto, não tenho vontade de repetir”, garante Mastronelli.

Intérprete do personagem Poeta na peça, Mastronelli se sente recompensado por poder discutir na peça os problemas da questão carcerária. Ele ressalta ainda o fato do espetáculo também falar da comunidade gay.

“A homossexualidade é o tema do momento. Para mim, é prazeroso participar de um momento de questionamento destes tabus, da celebração do casamento gay. É ótimo poder falar sobre isso”, conclui Mastronelli.

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Serviço: "A Curra",  quintas-feiras, às 21h. Teatro Paiol Cultural - Rua Amaral Gurgel, 164
Santa Cecília - São Paulo 

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